Húngaro quer a volta de um futebol perdido no tempo
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domingo, 10 de fevereiro de 2008
Luciano Balarotti<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Reviver a seleção húngara que encantou o mundo do futebol nos anos 50. Esta é a promessa do treinador Ferenc Polena, que afirma ter encontrado uma ''fórmula mágica'' para unir táticas clássicas à velocidade do futebol moderno.
Naturalizado brasileiro, o ex-ponta-direita abandonou os gramados em 1958, apesar das chances no Britânia e no Atlético, porque na época os atletas eram mal-remunerados. Contemporâneo de Puskas, Czibor, Kocsiz e Hidegkuti, craques com quem jogou na Hungria, Polena não revela como fará sua ''revolução tática'', mas afirma que pode implantá-la ''em 30 dias de preparação, mas com resultados já na primeira semana''.
Pelo pouco que deixa escapar, seu sistema de jogo aproxima-se do tradicional WM - criado pelo inglês Herbert Chapman nos anos 30, com o recuo de um médio-volante para a defesa e dos pontas-de-lança para o meio-campo, transformando o 2-3-5 em 3-4-3. Tática mais ofensiva que as atuais, criticadas pelo treinador: ''o que se joga hoje é uma pelada em alta velocidade. Cada equipe faz 15 ataques em 45 minutos e não dá para aceitar que não faça ao menos três gols''.
Para Polena, apesar do preparo físico aprimorado, os times de hoje perdem tempo para chegar ao ataque: ''os jogadores prendem demais a bola, dando chances para a defesa se armar. O que não se faz mais é ocupar todo o campo'', resume. Contrário a jogadores polivalentes, o técnico ressalta que cada atleta tem posição e função bem definida, citando Romário como grande exemplo.
Com experiência nas divisões de base de clubes amadores de Curitiba - como Vasco e Santa Cândida, onde levou a equipe aspirante ao vice-campeonato, em 1983 -, Polena sonha em treinar um time profissional. ''Eu quero fazer o que todo mundo espera, que é trazer de volta o espetáculo ao futebol. Mas não apareceu ninguém com coragem para me dar uma chance'', destaca.
Para atingir esta meta, sua receita é treinar exaustivamente os fundamentos e repetir jogadas. ''Hoje os atletas não conseguem acertar um passe ou cruzamento'', critica. Esperando oportunidades, o treinador acredita que o ''ideal seria treinar uma equipe de menor porte, como a Portuguesa Londrinense, por exemplo, onde os resultados viriam rapidamente''.


