Hulk não se sente ameaçado na Seleção
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domingo, 06 de janeiro de 2013
Gonçalo Junior<BR>Agência Estado 
São Paulo - Hulk era um dos homens de confiança de Mano Menezes. Foi para a Olimpíada de Londres como um dos três jogadores acima de 23 anos, ao lado de Thiago Silva e Marcelo. Apesar da mudança da comissão técnica e a chegada de Felipão, o jogador de 26 anos não se sente ameaçado na seleção brasileira. ''Estou fazendo um bom trabalho no meu clube e espero ser chamado nas próximas convocações. Não estou preocupado, apenas na expectativa'', revelou.
Mas Hulk terá de matar um leão por dia para continuar na vitrine: ele joga no Zenit, da Rússia, um país que não tem a mesma visibilidade de grandes torneios europeus. Além disso, terá de driblar questões delicadas do futebol russo, como racismo e homofobia. Nessa entrevista, o jogador conta como pretende superar todos esses desafios.
Qual é a sua expectativa em relação à mudança da comissão técnica da seleção brasileira?
É a melhor possível. O Felipão é uma excelente pessoa. Tivemos um contato rápido quando eu estava no Porto. Além disso, todos que já trabalharam com ele só tem elogios.
Você foi para a Olimpíada como um dos três jogadores acima de 23 anos. Teme perder a condição de titular com a mudança de técnico na seleção?
Não tenho preocupação, apenas expectativa. A gente nunca sabe o que vai mudar. Estou fazendo um bom trabalho no meu clube, o Zenit, vinha como titular da seleção e espero continuar o trabalho. Estive presente nas últimas convocações e quero continuar ajudando.
O que vai mudar dentro de campo? Como você imagina que vá jogar o time do Felipão?
Não dá para saber. Cada treinador tem um estilo, mas as coisas vão ficar mais claras só a partir de fevereiro, na primeira convocação e no primeiro amistoso.
Como você vai fazer para se manter na vitrine atuando em um país que não tem muita visibilidade, como a Rússia?
As coisas mudaram nos últimos anos. Antigamente, era mais difícil ver um jogo do futebol russo, mas ficou tudo mais fácil com a internet. Além disso, algumas emissoras já transmitem o Campeonato Russo.
Como são esses jogos?
São bastante disputados, com a marcação sempre justa. A gente não tem espaço para jogar. É um futebol de força.
Por que esse futebol de força do Zenit não conseguiu se classificar para a próxima fase da Liga dos Campeões?
Faltou entrosamento. O ambiente ficou um pouco tumultuado porque não fui recebido como deveria. Isso prejudicou bastante.
Continua aquele boicote dos jogadores? Eles continuam enciumados com a sua contratação?
Nunca falaram nada diretamente para mim. Eles conversaram entre eles e a diretoria não gostou porque o assunto se tornou público. Mas isso já passou. Hoje, temos uma boa relação. Tudo foi superado. Não temos mais problemas. Se tivéssemos jogado todas as partidas como a última (vitória sobre o Milan, no Estádio San Siro), teríamos conseguido a vaga (na Liga dos Campeões).
Como você encara o fato de sua transferência ter sido uma das maiores do mundo (cerca de R$ 157 milhões)?
Não posso dar muita importância. Tem o lado positivo, mas também tem a pressão. A cobrança é maior. Tenho de ter os pés no chão e continuar trabalhando.
Você foi discriminado? A torcida do Zenit divulgou um manifesto em que vetava negros e homossexuais no time...
Não fiquei sabendo dessa notícia. Estou sabendo disso agora. Nunca fui discriminado. Fui muito bem recebido pela torcida, que sempre incentiva o time e joga junto com os atletas. Os estádios sempre estão lotados e nunca tive problemas.
Mas o que você pensa sobre esse posicionamento?
É desagradável. Temos de respeitar cada jogador e cada pessoa independentemente de sua nacionalidade e sua cor. É preciso respeito com todo mundo.
Você se desentendeu com o treinador também?
Foi uma reclamação normal de jogo. Estava de cabeça quente por causa das substituições, entre outros motivos. Ele (Luciano Spaletti) é uma excelente pessoa e foi um dos principais responsáveis pela minha contratação. Também está superado.
Suas respostas mostram que você está vivendo um momento de adaptação. Como você está se virando com o frio?
Ainda sinto alguma dificuldade. Em alguns dias, a temperatura chega a -12ºC. É muito difícil.
Quais as outras diferenças entre Campina Grande, sua terra natal, e São Petersburgo, a cidade do Zenit?
Não dá nem para comparar. São muito diferentes. São Petersburgo também é uma cidade muito bonita. Podemos visitar e passear em vários locais. Em Campina Grande, estão meus pais e minha família e o calor chega a 40ºC.
Quais seus planos para 2013?
Quero fazer história no Zenit. Quero estar bem física e mentalmente para aproveitar as chances e ficar perto da seleção.


