No início da década de 60, o futebol profissional do Paraná ainda não era unificado. O campeonato tinha três chaves: Norte Velho (Pioneiro), Norte Novo e o Sul. Terminada as três fases, de um triângular se apurava o campeão estadual da temporada. No final da década, os clubes do Norte do Estado se juntaram num único torneio, e o campeão regional decidia o título estadual com o vencedor do Sul.
Antes de acontecer a unificação, a nível profissional, o Paraná já era unido esportivamente através de um torneio amador, que nasceu em 1964, reunindo os campeões das ligas amadoras. Era a Taça Paraná, que chega este ano à sua 35ª edição, sem interrupção.
Hugo Weber, o Capitão (como era conhecido o superintendente da Federação Paranaense de Futebol, em 1964, na administração do então presidente José Milani), depois de tomar conhecimento de incidentes na disputa de um torneio em Castro, que reunia campeões de ligas da região, propôs à diretoria da FPF a realização de um torneio que reunisse todos os campeões amadores das ligas. ‘‘Tínhamos muito contato com os presidentes dessas entidades e sentíamos a necessidade de motivar mais seus campeonatos. Daí surgiu a idéia de um certame estadual’’, diz Hugo Weber.
Com aval da FPF, ele elaborou um regulamento, aprovado logo em seguida, e a Taça Paraná passou a ser uma realidade. ‘‘Entre outras coisas, o regulamento obrigava as agremiações a utilizarem pelo menos seis jogadores jovens, pois um dos objetivos era revelar valores para os clubes profissionais do Estado. E vários jogadores sairam do torneio para as equipes principais. Mas depois mudaram muito o regulamento: cada clube procurava uma forma de ser campeão’’, critica.
Nos anos 60 e 70, era grande o interesse pela competição. Prefeitos passaram a dar ajuda financeira aos representantes dos seus municípios e novas ligas surgiam a cada ano. ‘‘Quando começamos a Taça, eram aproximadamente 20 ligas amadoras. Esse número cresceu de forma espetacular e hoje são mais de 100. A grande maioria surgiu no melhor período da Taça Paranᒒ, calcula Hugo Weber.
Hoje com 79 anos, 17 deles dedicados à Federação, Hugo Weber diz que dois diretores foram importantes para o surgimento do maior campeonato amador do Paraná. ‘‘Primeiro foi o diretor do Interior, Carlos Zenthening, mais tarde substituido por Osmar Toniollo. Eles fizeram muito pelo torneio da época’’, lembra Weber.
‘‘No início, os clubes podiam jogar em campos sem alambrados, o que gerou um pouco de confusão. Dois anos depois, era obrigatório e foi em razão disso que surgiram vários estádios no Estado’’, conta o criador da Taça Paraná.
Ele aponta uma razão para a crise de alguns clubes tradicionais na competição: ‘‘Antigamente as prefeituras ajudavam muito. Hoje elas passam por dificuldades e não devem ter verbas para esse tipo de gasto. Mas em outros tempos também havia outras dificuldades, como rodar pelas estradas sem asfaltos ou a difícil comunicação entre os municípios. Tudo era superado pela disposição de jogadores, prefeitos, dirigentes e imprensa’’, finaliza Hugo Weber, que atuou como secretário executivo da FPF e como superintendente nas administrações José Milani, Esperidião Peres e Motta Ribeiro.

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