Hugo Souza mantém Corinthians vivo na Copa do Brasil
Goleiro foi o destaque do Timão no jogo de ida no Maracanã; Filipe Luís dá novo estilo ao Flamengo
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 03 de outubro de 2024
Goleiro foi o destaque do Timão no jogo de ida no Maracanã; Filipe Luís dá novo estilo ao Flamengo
Igor Siqueira, Luiza Sá e Livia Camillo - UOL/Folhapress 

São Paulo - O goleiro Hugo Souza esteve nos holofotes em Flamengo 1 a 0 Corinthians desde antes do apito inicial. Protagonista na primeira semifinal da Copa do Brasil, o arqueiro custou R$ 500 mil aos cofres do Timão para poder jogar contra o time que detém seus direitos e impediu um placar elástico no Maracanã - apesar de ter cometido um vacilo no gol da vitória rubro-negra.
Hugo Souza admite que "poderia ter feito melhor" no único gol flamenguista, mas nega que tenha falhado. O lance pela esquerda foi rápido, e o lateral Alex Sandro ficou livre, em posição tanto para cruzar na pequena área quanto finalizar. Na tentativa de proteger o canto direito, Hugo até chegou a tocar os dedos na bola, mas sem sucesso.
"Na minha opinião não foi uma falha. Óbvio, eu acho que poderia ter feito algo melhor, mas eu dei o meu melhor dentro de campo e acredito que posso ter ajudado bastante a equipe", afirmou Hugo Souza.
No geral, a atuação de Hugo foi a melhor do Corinthians em campo. O goleiro não sentiu a pressão e, em duas chances cara a cara do Flamengo, esteve bem posicionado e foi decisivo -uma finalização de letra de Gabigol, no primeiro tempo, e outra em cabeçada de Bruno Henrique, no segundo.
"Eu prefiro focar no que a gente fez de bom. Primeiro tempo foi muito abaixo do que a gente esperava, na verdade bem abaixo, mas mesmo assim conseguimos suportar a pressão de um adversário tão qualificado quanto o Flamengo. Então, dentro das proporções do jogo, o 1x0 foi um resultado bom para a gente", disse.
A atuação de Hugo foi fundamental, justificou os R$ 500 mil para sua escalação e animou a diretoria que já mira a compra do atleta. Augusto Melo, presidente do Timão, já queria ter adquirido os direitos econômicos do goleiro, emprestado pelo Flamengo, desde a última terça-feira (1º), mas a cláusula de compra só passa a valer a partir do dia 10 de outubro.
Vale lembrar que Hugo defendeu três pênaltis na decisão contra o Red Bull Bragantino, pelas oitavas de final da Copa Sul-Americana.
O jogo de volta da semi da Copa do Brasil está marcado para o dia 20 de outubro, Neo Química Arena, às 16h (de Brasília).
FILIPE LUÍS DÁ NOVO ESTILO AO FLAMENGO
O Flamengo passou por uma mudança de estilo. Saíram a calça e a camisa sociais de Tite. Entrou um jovem técnico com seu modelo casual preto, tênis e uma ideia que culminou com a vitória por 1 a 0 sobre o Corinthians.
A estreia de Filipe Luís é o início, muito promissor, de um novo jeito de praticar futebol no Flamengo. Um contraste com as atuações recentes com Tite.
Foi emocionante para o agora técnico, que até ano passado estava ali no campo, como jogador. Uma ascensão meteórica que o emocionou ao chegar à área técnica para comandar o time profissional pela primeira vez.
"Vi meus companheiros correndo por mim", disse ele.
A abordagem é clara. De proximidade aos jogadores, por conhecê-los ao longo dos últimos anos e saber muito bem pelo que estão passando.
Em curto espaço de tempo no Flamengo, Filipe passou pelo sub-17, foi campeão mundial sub-20 - ali mesmo no Maracanã- e pela primeira vez teve o nome gritado como técnico do time principal.
ESQUECEU DE ALMOÇAR E DORMIU POUCO
Foi quem mais ganhou aplausos no anúncio da escalação. E quem foi mencionado no primeiro cântico após o apito final do árbitro. A arquibancada deu apoio, mesmo o Maracanã tendo um sentimento de que o resultado poderia ser ainda melhor.
A semana fora caótica para ele. E ainda era quarta-feira à noite. Desde segunda-feira, quando foi anunciado, dormiu pouco e mal viu os filhos. Em um dos dias antes do jogo, esqueceu de almoçar.
Tudo em nome da nova função de técnico, pela qual se apaixonou e para a qual tanto se preparou.
Hora de colocar em prática. Filipe é um técnico ativo à beira do campo, mas não espalhafatoso. Dá instruções constantemente. Uma das que surtiu efeito foi reforçar a importância de um Flamengo pressionando, marcando alto. A tônica do ótimo primeiro tempo foi essa.
Já rolou até jogada ensaiada em cobranças de falta. A execução, no entanto, precisa melhorar.
Aplausos com as mãos elevadas ao alto, conversas ao pé do ouvido com Gabigol —em quem apostou de cara para tentar resolver o problema ofensivo- e também trocas com Gerson, mantido como capitão.
Bebendo água à beira do campo, tentava se refrescar como podia. A mão molhada ajeitava o cabelo, refrescava o rosto, enquanto o time trocava passes e envolvia o Corinthians.
DO GOL ÀS CORREÇÕES
O gol foi um alívio. E logo de um lateral-esquerdo, com quem Filipe Luís dividiu a seleção brasileira. Na posição em que jogava, o agora técnico diz ter ótimos jogadores. Mas vê em Alex Sandro uma alternativa mais equilibrada. E ele não se esquece do concorrente: "Ayrton Lucas foi um cara que me botou no banco".
Se não tivesse chutado ao gol, Alex Sandro já seria protagonista de um retrato que é uma premissa do estilo do professor Filipe Luís:
Meu dever é fazer com que, quando meus laterais chegarem no fundo, tenham três jogadores na área.
Isso contagiou o Flamengo nessa primeira experiência com ele. Gabigol foi mais acionado, Bruno Henrique estava dinâmico, Gerson com liberdade de movimentação e Arrascaeta com uma visão de jogo apuradíssima:
Cada vez que o Arrascaeta pegar a bola, que tenham dois jogadores dando espaço.
Mudança de zagueiro à parte —Léo Ortiz foi titular no lugar de Fabrício Bruno—, a pulsação do Flamengo de Filipe Luís vem do meio-campo:
Para mim, os dois jogadores mais importantes do time são os dois volantes.
As interações com o auxiliar Ivan Palanco foram constantes. No segundo tempo, David Luiz também deu uma força.
Quando chamou os jogadores do banco para as primeiras alterações - Michael e Matheus Gonçalves -, o Flamengo já estava numa fase do jogo em que a conta do esforço físico já estava sendo paga.
O time criou muito. Foram 19 finalizações. Defesas difíceis de Hugo Souza e bola na trave, Mas deu alguns espaços. Se a marcação encaixou facilmente no primeiro tempo, ficou um pouco descompassada no segundo. Até porque Ramón Díaz mudou o esquema, colocando uma linha de cinco defensores.
Filipe reconheceu que o time precisa melhorar. Mas bebendo da fonte de quem passou pela carreira dele —inclusive, o demitido Tite e, claro, Jorge Jesus—, ele colocou o primeiro tijolinho nesse novo Flamengo que deseja construir. Os primeiros traços. As primeiras combinações.
O gol de Gabigol poderia ter dado um grau ainda mais apoteótico ao jogo. Mas foi anulado pelo VAR.
Depois do apito, Filipe Luís entrou em campo e abraçou cada jogador individualmente. Retribuiu o incentivo da torcida com aplausos.
Certamente vai perder mais horas de sono nos próximos dias pensando no que fazer contra o Bahia, de Rogério Ceni, que também foi seu treinador. O jogo pelo Brasileiro é sábado, na Fonte Nova. O que dá tranquilidade é saber: "Eu tenho uma máquina na mão."


