Hotéis têm nova expectativa
Albari RosaO camelô Ubaldo Duarte, de 26 anos: Os turistas vão direto para lojas. Não sobrou nada para nós
Hotéis têm nova expectativa
Valmir Denardin
De Foz do Iguaçu
O setor hoteleiro de Foz do Iguaçu refez as contas e reduziu a expectativa, mas continua otimista em relação ao reflexo da Copa América na economia da cidade. Segundo previsões do Iguassu Convention & Visitors Bureau - entidade que reúne empresários ligados ao turismo -, se o Brasil chegar à final, cerca de 25 mil pessoas terão se hospedado por pelo menos uma noite em Foz por causa do torneio.
Se esse número se confirmar, ficará muito próximo da previsão inicial, que era de 30 mil visitantes durante a Copa América. O equívoco foi acreditar que as pessoas viriam para a Copa América como se fossem à praia, ficando um mês. Isso não ocorreu e tivemos um turismo conta-gotas, afirma o presidente do Bureau, o hoteleiro Marcelo Valente. Geralmente, o torcedor viajou para assistir apenas a um jogo, ficando na cidade no máximo por dois dias.
Segundo Valente, a cada rodada da primeira fase (foram três) se hospedaram em Foz do Iguaçu entre 5 mil e 6 mil turistas-torcedores. Para o jogo de hoje, entre Brasil e Argentina, o setor prevê que esse número atinja 10 mil.
Somado ao fluxo de turistas convencionais (que visitam a região nas férias de julho para conhecer as Cataratas, Itaipu e fazer compras no comércio paraguaio) a taxa média de ocupação gira em torno de 80% dos 23 mil leitos oferecidos pelos 195 hotéis da cidade. Isso representa o dobro da baixa média mensal de ocupação da rede hoteleira local entre 30% e 40%.
Com a redução da permanência dos visitantes, a previsão de faturamento foi reduzida a menos de um terço da meta inicial: de R$ 35 milhões, caiu para R$ 10 milhões. Na primeira fase da Copa América, três das quatro seleções do grupo B (Brasil, México e Chile) se hospedaram em Foz do Iguaçu. A Venezuela ficou em Puerto Iguazú (Argentina). A partir das quartas-de-final, apenas o Brasil permanece na região.
Mesmo com números mais modestos, hoteleiros de Foz do Iguaçu e comerciantes de Ciudad del Este acreditam que a Copa América vai trazer retorno a curto e médio prazos para o turismo na fronteira.
Nunca tivemos uma divulgação gratuita na mídia tão grande quanto agora, em decorrência da Copa América. Isso vai trazer um retorno fantástico, anima-se Valente. A Copa América está ajudando a acabar com aquela imagem de que o Paraguai é o paraíso da pirataria e do crime, concorda o empresário Charif Hammoud, de Ciudad del Este.





