Assustado com o tumulto dos torcedores que protestavam contra a eliminação do Brasil da Olimpíada, o técnico Wanderley Luxemburgo disse ontem, em seu desembarque no aeroporto de Guarulhos, que segue no comando da seleção pelo menos até o próximo dia 8.
Nessa data, a seleção brasileira enfrentará a Venezuela, em Maracaibo, em sua nona partida pelas Eliminatórias da Copa de 2002 – até agora foram quatro vitórias, duas derrotas e dois empates.
‘‘Até dia 8, eu fico. No dia 3, vou me reunir com o doutor Ricardo (Teixeira, presidente da CBF), mas ele garantiu que eu dirigiria o time contra a Venezuela’’, afirmou o treinador, assegurando que nesse mesmo dia iniciará os treinamentos em Teresópolis.
A entrevista foi interrompida por advogados que defendem Luxemburgo no processo de sonegação fiscal em tramitação na Justiça Federal do Rio quando torcedores forçavam a aproximação a ele, hostilizando-o.
O técnico só decidiu que voltaria ao Brasil horas antes de o avião que trazia parte da seleção sair de Los Angeles. Luxemburgo pretendia passar uma semana em Miami, mas acabou convencido por sua mulher, Josefa, de que seu retorno ao país, ao lado dos jogadores, era o melhor a ser feito. O técnico ficou preocupado com a repercussão que o ‘‘abandono’’ a seus comandados teria no Brasil, prejudicando ainda mais sua já desgastada imagem.
O advogado Júlio Leitão disse que foi recepcioná-lo no aeroporto para tranquilizar o seu cliente. Os manifestantes, que gritavam o nome de ‘‘Romário’’ e chamavam o técnico de ‘‘burro’’, ameaçavam agredir Luxemburgo – um chegou a chutar sua perna – quando ele tentava sair do aeroporto, cercado por policiais militares. A operação contou com 40 PMs, incluindo os que escoltariam o seu carro, além de seguranças da seleção brasileira.
‘‘Tô assustado’’, afirmou o treinador durante o tumulto. ‘‘Não quero sair daqui no carro da polícia’’, disse ao chefe da segurança, Francisco Marcelino, o Chicão. Na entrevista, ele havia dito que não se arrependia de não ter convocado atletas acima de 23 anos para os Jogos. ‘‘O que tinha de ser feito na Olimpíada, foi feito.’’
No empurra-empurra, Luxemburgo derrubou um buquê de flores que carregava, o qual havia recebido de integrantes de uma caravana organizada para apoiá-lo. Os dois carros da polícia que estavam estacionados em frente ao Terminal 2 de desembarque foram cercados pelos manifestantes. Na confusão, Luxemburgo conseguiu entrar no carro dos advogados, que partiu rapidamente.
Logo atrás estava o carro que realmente deveria levar o técnico para a sua casa, ocupado por Josefa e por Vanusa, a filha mais nova do treinador da seleção.
O avião que trouxe Luxemburgo a São Paulo (vôo 841, da Varig) pousou em Guarulhos pouco antes das 13h. Além de Luxemburgo, entre os passageiros estavam o coordenador técnico da seleção, Marcos Moura Teixeira (que em seguida foi para o Rio), o auxiliar técnico Candinho, o fisiologista Renato Lotufo e os jogadores Athirson, Roger e Hélton.
Luxemburgo deve passar os próximos dias descansando em São Paulo, segundo a sua filha Vanusa. ‘‘Ele está tranquilo. Após sua chegada, tivemos um almoço de família em casa. Apesar de tudo, o meu pai está feliz, matando a saudade da família. Sempre fomos muito unidos. Por enquanto, ele deve ficar em São Paulo.’’
Sobre o protesto no aeroporto, Vanusa contemporizou: ‘‘Meu pai sabe que, assim como tem gente que aplaude, tem gente que vaia. Havia muita gente apoiando-o no aeroporto. Eram poucos os que o chamavam de burro’’.
Apesar do cansaço da viagem de 27 horas, ela disse que seu pai não dormiu à tarde. Ficou conversando com a mulher e as filhas. ‘‘Minha mãe não o deixou dormir porque senão, à noite, meu pai é que não a deixaria dormir’’.

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