A França não vai hesitar em expulsar hooligans de seu território, como garantiu ontem em Paris, Jean-Pierre Chevenement, o ministro de Interior, apesar da tendência de se acabar com as fronteiras nos países europeus. Seis envolvidos nos incidentes de Marselha (cinco ingleses e um tunisiano) já foram mandados embora, três foram presos e muitos outros (21, na maioria ingleses) estão detidos, aguardando julgamento.
Jean-Pierre Chevenement divulgou ontem, em Paris, ter aprovado medidas de emergência dando força para a polícia expulsar baderneiros antes mesmo de qualquer julgamento.
A atitude é enérgica, sem dúvida, e desvia uma tendência européia de acabar com fronteiras. Na Europa já é comum viajar pelo espaço Schengen, como Itália, França, Espanha, Portugal e Alemanha (países que assinaram o tratado da cidade holandesa de Schengen) sem a necessidade de passaporte ou qualquer outro documento de identidade. Os ingleses não assinaram este tratado. Por isso, precisam de documentos para atravessar a fronteira.
Segundo informações divulgadas ontem, a polícia britânica já teria tirado os passaportes de alguns hooligans e também os obriga a ir à delegacia nos dias de jogos da seleção inglesa e caso não compareçam teriam sentença de prisão. Mas os franceses garantem que apenas 69 torcedores estão passando por estas privações.
O técnico da Inglaterra, Glenn Hoddle, desculpou-se publicamente ontem pelo comportamento dos hooligans, mas ressalvou que em muitos casos os torcedores britânicos apenas responderam a provocações. ‘‘Há duas formas de ver as coisas. Estou convencido de que alguns ingleses praticaram desordens, mas também vi imagens que mostraram que alguns deles simplesmente reagiram a provocações de torcedores tunisianos, que os atacaram’’, disse Hoddle.
A imprensa de toda a Inglaterra foi unânime em reprovar o comportamento violento dos hooligans em Marselha. Para os principais jornais, eles ‘‘acabam com a honra da Inglaterra’’. Manchetes como ‘Hooligans arruínam um dia perfeito da Inglaterra’, ‘Torcedores ingleses presos por provocar distúrbios’ e ‘Alegria para Shearer, vergonha para a Inglaterra’ estavam estampadas nas primeiras páginas dos jornais de ontem.
O jornal ‘‘The Daily Telegraph’’ disse que ‘‘a estréia perfeita da seleção inglesa na Copa do Mundo (vitória sobre a Tunísia por 2 a 0) foi ofuscada por uma noite de violência em Marselha’’.
Já o ‘‘The Independent’’ afirmou que ‘‘os atos de violência dos hooligans esconderam o bom futebol da seleção inglesa’’.
O ‘‘The Times’’ afirmou que ‘‘enquanto os gols de Alan Shearer e Paul Scholes derrotaram os tunisianos, alguns torcedores, a um quilômetro do Estádio Velódromo, em Marselha, lutavam em uma praia onde milhares de pessoas se reuniram para assistir ao jogo em um telão’’.
O ‘‘The Guardian’’ disse que ‘‘centenas de hooligans participaram de uma noite de violência sem precedentes na história da Copa do Mundo’’. Finalmente, o ‘‘The Mirror’’ destacou que ‘‘os torcedores estúpidos e cretinos em Marselha envergonharam a Inglaterra e que os hooligans precisam ser alvo de uma política mais dura contra o crime’’. Nem mesmo o primeiro-ministro Tony Blair foi poupado de críticas.

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