Eles levam uma vida diferente do que as pessoas consideram ''normal''. Recusam convites às festas noturnas, evitam passear com a família nos fins de semana e são muito rigorosos com a alimentação e a saúde como um todo. Eles chegam a passar 12 horas treinando num sábado ou num domingo ensolarados e ainda que haja chuva, eles estão lá, persistentes ao objetivo que traçaram para suas vidas: disputar o Ironman Brasil. Os ''homens de ferro'' de Londrina embarcam essa semana para Florianópolis (SC) para somar aos cerca de 80 paranaenses que disputarão o Ironman Brasil 2010. A prova de triathlon mais pesada que existe acontece no próximo domingo, dia 30, e deve reunir 1,6 mil atletas de todo mundo.
Completar o Ironman é encarar um desafio físico e emocional. Os ''super atletas'' deverão nadar 3,8 quilômetros; pedalar 180 e correr uma maratona: 42 quilômetros. Tudo isso deve ser feito num tempo máximo de 17 horas. E os atletas de Londrina estão dispostos a encarar o desafio. Inclusive, a prática de treinar é algo que já faz parte de suas vidas.
Embarcam para capital catarinense o veterano do grupo, Moacir Yoshida, 45 anos; Sérgio Isidoro Canestraro Milani, 28, Octalício Figueiredo Netto, 43; Cosme Monteiro, 33 e Manuel Inácio da Silva Júnior, 33.
Pela quinta vez no Ironman, Yoshida afirma que o mais difícil não é participar da prova. Para ele, o mais difícil mesmo são os treinos. ''Tem dias que você olha pra cara de um colega de treino e pensa: o que estamos fazendo aqui? E há outros dias que você senta no meio-fio depois de um treino de oito horas e chega a chorar de satisfação por ter conseguido chegar até o final'', comenta.
A paixão pelo triathlon começou aos 37 anos de idade quando ele acompanhava sua filha em competições amadoras. ''Quando fiquei sabendo do Ironman passei a ler depoimentos com histórias emocionantes de pessoas que viveram esse desafio. Então pensei em fazer parte disso e penso que, enquanto minha saúde permitir, eu participarei do Ironman'', diz.
O médico Octacílio Figueiredo, 43, está indo pela segunda vez. Ano passado ele terminou a prova em 14 horas e 30 minutos. Apaixonado por ciclismo, o médico confessa ter começado a ''pegar firme'' nos treinos somente depois do Carnaval. Mesmo assim, antes disso, Figueiredo nunca deixou de pedalar, esporte que sempre esteve presente na sua vida. ''Pra mim, lá no Iron é assim: natação é relaxamento; bike é prazer, correr é tortura'', brinca.
O treinador do médico e também de Yoshida, Diego Duarte, explica que os treinos são bem intensos mas que preparados especificamente para esse tipo de prova, por tanto, com todo o cuidado que o corpo precisa para não ocorrer lesões. ''O treino é feito todo dia. Uma vez por semana são mais intensos, como sair pra pedalar ou correr em atividades que totalizam oito, doze horas'', explica o diretor da Duarte Triathlon Team que também já participou do Ironman.
Já o personal Cosme Monteiro, 33, disputará a prova pela terceira vez. Bem preparado e na expectativa de terminar o desafio num tempo abaixo de 9 horas, Monteiro traz consigo uma ''bagagem'' considerável de classificações em outras competições de triathlon onde chegou a participar como atleta de elite. ''No Meio Ironman de Caiobá do ano passado fiquei em 9º lugar, depois fiquei em 7º e no último que teve no começo deste ano consegui ficar em 5º'', lembra o atleta que traz consigo uma tatuagem do Ironman no tórax e outra no pé.

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