Magny-Cours, FRA, 26 (AE) - Na entrevista coletiva dos três primeiros na classificação, hoje, Rubens Barrichello fez questão de agradecer, logo nas primeiras palavras, ao seu "homem do tempo". Tradicionalmente ele consulta o alemão Horst Roeger, 62 anos, ex-empresário de Gerhard Berger, para saber a previsão do tempo. Hoje a informação passada por Roeger foi decisiva para a conquista da pole position. "Ele disse a mim e ao nosso projetista, Gary Anderson, depois de analisar as nuvens de vários ângulos da pista, que a chuva seria mais intensa após 10 minutos de classificação." A previsão de Roeger foi precisa.
Por tê-la respeitado, Barrichello obteve a pole position, já que depois a chuva de fato aumentou. O alemão solicitou ao brasileiro não ser identificado a fim de evitar a imprensa, o que poderia causar descontentamento com outros pilotos da sua relação. "Eu tirei o meu brevê de piloto acrobático com 50 anos, e como hoje ainda eu vôo, sou obrigado a estar mais atento do normal com as questões do tempo para não ser surpreendido", revelou Roeger. Essa necessidade de ser preciso com o que pode ocorrer com as condições do clima, somada ao seu conhecimento de física (ele é físico nuclear), o levou a se desenvolver em meteorologia, conta.
"Não me lembro da prova, faz uns dois anos, ocorreu o mesmo", diz Roeger. Barrichello confirma: "Acho que foi numa corrida na Bélgica, ele se deslocou para as arquibancadas, observou o céu, a intensidade e direção dos ventos, telefonou para um pequeno aeroporto local e disse-me o que iria acontecer." Segundo o piloto da Stewart, a precisão de suas previsões o impressiona. "Ele eu sei que não falha."
Comentário hoje no autódromo depois de Barrichello citar a ajuda de Roeger: a Williams, famosa por seus equívocos na interpretação do tempo, passará a recorrer ao alemão. Como os dois pilotos que disputam o título da temporada, Mika Hakkinen, da McLaren, líder do Mundial, e Michael Schumacher, Ferrari, segundo colocado, não contam com um serviço de meteorologia dos mais confiáveis, os dois largam lá atrás no grid, sexto e 14º, respectivamente.
"O que dizer, as condições eram as mesmas para todos, não exigi mais da minha McLaren porque não me sentia confiante, com toda aquela água na pista", disse Hakkinen. Já Schumacher contou que sua estratégia era deixar os pilotos treinarem para depois, com possivelmente menos água no asfalto, registrar seu tempo. "Desta vez não funcionou, a chuva aumentou."
O finlandês acha que amanhã, ao longo das 72 voltas da corrida, tudo pode acontecer. "Tenho, no entanto, de ser realista, largando em 14º estarei contente se sair daqui com alguns pontos." O alemão espera que não chova. "Será perigoso demais, hoje podíamos rodar em plena reta." Sobre suas possibilidades de reassumir a liderança do campeonato, falou: "Se o asfalto estiver molhado, será uma loteria, já se tivermos corrida no seco, seremos bem competitivos."
Cinco pilotos não obtiveram tempo para classificarem-se: Damon Hill, da Jordan, Marc Gené e Luca Badoer
da Minardi, e Pedro de la Rosa e Toranosuke Takagi, da Arrows. A direção de prova, "compreendendo as dificuldades da sessão que definiu o grid", aceitou a participação de todos, amanhã, no GP da França. Os comissários analisaram os tempos dos cinco nos dois treinos de sexta-feira e no de hoje, pela manhã, e determinaram: Hill larga em 18º, De la Rosa em 19º, Takagi em 20º, Badoer em 21º e Gene em 22º.

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