HOMEM DE GELO desbanca os favoritos
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segunda-feira, 22 de outubro de 2007
Agência Estado 
São Paulo - Se dominasse o português, Kimi Raikkonen bem que poderia ter dito ontem, em Interlagos, diante de 70 mil torcedores em êxtase: ''Pé frio uma ova!'' O gelado finlandês da Ferrari expurgou os demônios que o acompanhavam e conquistou numa corrida emocionante e histórica o seu primeiro título mundial, contra quase todas as previsões. Estava 7 pontos atrás de Lewis Hamilton e 3 de Fernando Alonso, ambos da McLaren.
Os felizardos no autódromo e os 500 milhões de telespectadores no mundo todo assistiram a uma etapa final de campeonato cheia de alternativas, em sintonia com as fortes emoções da temporada, conforme também a classificação final atesta: Raikkonen, com 110 pontos, Lewis Hamilton e Fernando Alonso, 109, menor distância em todos os tempos.
Os três pilotos estiveram na pista, ao menos em algum momento, em condição de serem campeões. No fim, o sangue frio de Raikkonen, a ajuda decisiva do companheiro de Ferrari, Felipe Massa, ao lhe oferecer a vitória, a eficiência do modelo F2007 e um erro de Hamilton somado à primeira pane do carro da McLaren no ano garantiram o resultado menos provável de todos.
Os seis anos de ''azares'' de Raikkonen na Fórmula 1 foram apagados na raiz com a rara combinação de fatores que lhe garantiram o título. ''Eu não acredito em azar'', falou o finlandês que o máximo que expôs de emoção foi um meio sorriso. É bom os fãs da Fórmula 1 se acostumarem. O novo papa do automobilismo é indiferente até quando é campeão pela primeira vez. ''Não vai mudar minha vida.''
Massa foi decisivo para a conquista. ''Dei um pouco à equipe que tanto me ajudou no início de carreira'', afirmou. No segundo pit stop, diminuiu o ritmo para que Raikkonen saísse do box na sua frente, em primeiro. Ele mesmo acabou em segundo diante da sua torcida. ''Massa é o vencedor da corrida. Ele foi o melhor. Mas pensou na equipe'', falou Jean Todt, diretor da Ferrari.
A decepção do dia acabou sendo o piloto que mais impressionou a todos este ano, a sensação da Fórmula 1, ''o que de melhor poderia ter surgido para nós'', como definiu o promotor do espetáculo, Bernie Ecclestone: Lewis Hamilton. Errou e a sua McLaren, pela primeira vez no ano, o deixou na mão, com uma pane momentânea no câmbio. Acabou em sétimo. Na China já havia desperdiçado um match point.


