Holanda quer evitar armadilha argentina
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quarta-feira, 01 de julho de 1998
Agência Estado 
A Seleção Holandesa começou ontem os preparativos para a partida das quartas-de-final contra a Argentina, sábado, em Marselha. O técnico Guus Hiddink disse que a chave para vencer o jogo é manter a compostura e evitar que se repita o que ocorreu com o volante inglês David Beckham, expulso depois de chutar o meia argentino Simeone. Sabemos que eles são bons para provocar e irritar o adversário, disse Hiddink.
O técnico quer que a Fifa e o juiz fiquem atentos às provocações argentinas, já que os holandeses demonstraram ser muito suscetíveis. O atacante Patrick Kluivert, por exemplo, foi expulso depois de dar uma cotovelada no zagueiro belga Lorenzo Staelens e acabou sendo suspenso por duas partidas.
Nas oitavas-de-final, contra a Iugoslávia, o artilheiro Dennis Bergkamp poderia ter sido expulso se o juiz visse a cena em que ele parecia estar pisando o zagueiro Sinisa Mihailovic. Por isso, Hiddik anunciou que vai deixar bem claro para seu time a importância de controlar o temperamento. Os argentinos marcam duro e gostam de provocar. De nossa parte, temos de evitar a todo custo cair na armadilha. Somos muito bons para jogar futebol, mas nos irritamos muito facilmente diante da mínima injustiça.
Argentina e Holanda já se enfrentaram duas vezes na história dos Mundiais. O primeiro confronto ocorreu nas quartas-de-final da Copa de 1974, na Alemanha. O Carrossel Holandês literalmente atropelou a Argentina por 4 a 0, mas acabou como vice-campeão ao perder da Alemanha Ocidental.
A vingança Argentina veio em 1978. Naquela Copa, realizada na própria Argentina, as duas seleções se enfrentaram na decisão. Argentinos e holandeses empataram no tempo normal por 1 a 1, mas a Argentina de Kempes foi mais forte na prorrogação e venceu a partida por 3 a 1, sagrando-se campeã mundial pela primeira vez. A Holanda amargou seu segundo vice-campeonato consecutivo.
Argentina - A batalha contra a Inglaterra esgotou as reservas de energia dos jogadores. O cansaço e as dores musculares tomaram conta dos atletas que passaram o dia de ontem trancados no Centro Desportivo de LEtrat, em Saint-Étienne, descansando. A maioria acordou depois do meio-dia. O técnico Daniel Passarella pede para todo mundo relaxar porque o próximo desafio será ainda mais desgastante, pois a Holanda exige muito do preparo físico do adversário.
O caminho para a Argentina chegar ao título é um dos mais difíceis. A tranquilidade que a equipe teve na primeira fase, quando caiu num grupo fácil ao lado de Japão, Jamaica e Croácia, virou tormenta. Já foi difícil passar pela Inglaterra. O time teve sua defesa até então invicta quebrada pela velocidade do menino Michael Owen, de 18 anos. A Argentina conseguiu empatar por 2 a 2 e ainda teve uma ajuda do juiz dinamarquês Kim Milton Nielsen, que não viu um pênalti de Chamot no início da prorrogação, ao cortar um cruzamento com a mão. Nas quartas-de-final, será a Holanda.
O adversário é considerado pelo técnico Daniel Passarella como a melhor equipe do Mundial. A Holanda foi o time que mais me impressionou, diz o treinador. O time toca a bola sem perder a paciência, sabe esperar a hora de atacar, tem total controle da situação e com certeza será um adversário duríssimo.


