Johannesburgo - Euforia. Esse é o principal inimigo dos holandeses para o jogo da semifinal contra o Uruguai. Nos últimos dias, o técnico Bert Van Marwijk vem tentando conter o clima de favoritismo que passou a fazer parte do ambiente da seleção e mesmo entre os torcedores nas cidades holandesas. ''Depois de vencer o Brasil, o sentimento agora é de que perder para o Uruguai na semifinal seria totalmente inaceitável e esse clima de franco favoritos é que temos de controlar '', afirmou o ex-craque e consultor do time da Holanda, Ronald De Boer.

Van Marwijk usou os mesmos argumentos para colocar o time holandês focado no adversário. ''Temos de ter cuidado. O Uruguai luta e sobrevive. Por isso chegaram até as semifinais. Não podemos subestimar o Uruguai. Caso contrário, perderemos antes mesmo de entrar em campo'', disse.

Nem as suspensões de Luis Suárez e Fucile, além dos problemas físicos de Lugano, seriam motivo para comemoração. ''Se eles tem perdas, nós também. Nigel de Jong e Van der Wiel estão suspensos'', disse o técnico. ''A euforia é sempre boa e entendo. Mas isso já ocorreu no passado e, quando vemos, deixamos escapar de nossas mãos títulos importantes'', disse, em relação à campanha da Holanda em 1974 e 1978.

Neste domingo, Robin Van Persie e Mathijsen treinaram separados do grupo. Mas estão confirmados como opções para o jogo desta terça-feira. Bert Van Marwijk comemorou. ''Somos favoritos e sabemos disso. Mas agora precisamos administrar esse favoritismo. Em campo, isso significa trabalhar muito'', concluiu De Boer. O ex-astro admite que o time da Holanda já sofreu em várias ocasiões a sina de chegar a um Mundial como favoritos e esquecer de desempenhar, em campo, a teórica superioridade.

Catimba

Depois de levar os jogadores brasileiros ao desequilíbrio psicológico em campo, a Holanda quer agora usar a mesma tática para minar a resistência uruguaia. Conhecidos como um time duro e que também usa da catimba para ganhar moral em campo, o Uruguai enfrentará uma Holanda que não descarta nenhum instrumento para predominar.

Ao final da partida contra o Brasil, Sneijder confessou que os jogadores holandeses se utilizaram de ''espertezas'' que levaram o time brasileiro ao desespero. ''Nós mantemos a calma mental'', disse o meia da Holanda. ''Para ir até o final, precisamos usar de todos os meios possíveis'', afirmou.

''O Brasil poderia ter feito três a zero no primeiro tempo. Mas não quis matar o jogo. No segundo tempo, entrou achando que a qualquer momento estariam na cara do gol. Mas dominamos os brasileiros mentalmente e isso se refletiu no campo'', afirmou Ronald de Boer, ex-astro da seleção da Holanda e hoje consultor da seleção.

''O Uruguai é um time mais duro que o Brasil. Talvez poderíamos dizer que é menos inocente e pode pegar pesado. Isso é algo que temos em mente e que vamos usar para a nossa vantagem'', explicou De Boer. A meta é a de conseguir que, ainda no primeiro tempo, jogadores fundamentais do time recebam punições por faltas, o que levaria a zaga a amenizar o combate, abrindo espaços para os dribles de Sneijder e Robben.

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