Holanda e Croácia disputam, hoje, no Estádio Parque dos Príncipes, em Paris, o terceiro lugar da Copa do Mundo de 1998. O jogo está sendo encarado de maneira diferente pelas duas seleções. Enquanto os holandeses definem a partida como ‘‘amarga’’, os croatas preferem chamá-la de ‘‘doce’’. Suker e seus companheiros não concordam com a tese de que em um Mundial apenas o primeiro lugar é importante. Os croatas querem entrar para a história, ficando em terceiro lugar logo na primeira Copa disputada por eles.
Para ele, a vitória por 3 a 0 sobre a Alemanha, nas quartas-de-final, foi o maior presente recebido neste Mundial. O time comandado por Miroslav Blazevic esperou por esta ‘‘revanche’’ durante dois anos, já que foram eliminados da Eurocopa de 1996 pelos mesmos alemães.
Blazevic chegou a ficar triste com a eliminação nas semifinais, após perder por 2 a 1 para a França, mas, agora, garante que ficará feliz com ‘‘o honroso terceiro lugar’’. ‘‘Vamos fechar este Mundial com chave de ouro, sabendo que podemos pensar em atingir vôos mais altos’’, disse ele.
Antes da Copa, a participação dos 22 croatas era uma incógnita, apesar de todos jogarem em grandes clubes europeus. Mas nem mesmo os mais otimistas se aventuraram a dizer que o time chegaria tão longe. ‘‘Fizemos tudo o que foi possível’’, declarou o atacante Davor Suker, que joga no Real Madrid. ‘‘Firmamos a identidade de nosso pequeno país. Ficar em terceiro lugar, vencendo os fortes holandeses, será um prêmio a mais para nosso povo.’’
Já para os holandeses, disputar o que está sendo chamado de ‘‘final de consolo’’ é a confirmação do fracasso de um time que chegou ao Mundial se considerando superior ao Brasil. Até agora, a derrota nos pênaltis para os sul-americanos não foi digerida e todos procuram um estímulo para entrar em campo e vencer a Croácia. ‘‘Está difícil. O time está com a moral muito baixa. Ninguém está fazendo questão de sair da Copa como terceiro colocado. Nunca pensamos que isso aconteceria e nem queríamos isso. Brigamos pelo título inédito’’, disse o técnico Guus Hiddink.
Ele espera, apesar de tudo, que seus jogadores reflitam e repitam as boas atuações contra Argentina e Brasil. ‘‘Não quero desmerecer a vitória brasileira, até porque o time de Zagallo também lutou muito e teve mais sorte na loteria dos pênaltis.’’
Hiddink acha que a Seleção Holandesa já deve começar a pensar na Eurocopa de 2000, que será disputada na própria Holanda e na Bélgica. ‘‘Não podemos arruinar a boa impressão que deixamos.’’
Entre os jogadores, o clima é o pior possível. ‘‘Vamos jogar contra os croatas com a certeza de que nosso lugar seria no jogo de domingo e não no de sábado. Fizemos por merecer uma sorte melhor. Mas nossos torcedores podem ficar tranquilos que lutaremos por uma vitória, que nada valerᒒ, afirmou o goleiro Van der Sar. Frank de Boer, por sua vez, acha que todos devem entrar em campo com a certeza de que a vitória será ‘‘uma questão de honra’’.

FICHA TÉCNICA

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