Holanda encara 3º lugar como questão de honra
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sexta-feira, 10 de julho de 1998
Agência Estado 
Holanda e Croácia disputam, hoje, no Estádio Parque dos Príncipes, em Paris, o terceiro lugar da Copa do Mundo de 1998. O jogo está sendo encarado de maneira diferente pelas duas seleções. Enquanto os holandeses definem a partida como amarga, os croatas preferem chamá-la de doce. Suker e seus companheiros não concordam com a tese de que em um Mundial apenas o primeiro lugar é importante. Os croatas querem entrar para a história, ficando em terceiro lugar logo na primeira Copa disputada por eles.
Para ele, a vitória por 3 a 0 sobre a Alemanha, nas quartas-de-final, foi o maior presente recebido neste Mundial. O time comandado por Miroslav Blazevic esperou por esta revanche durante dois anos, já que foram eliminados da Eurocopa de 1996 pelos mesmos alemães.
Blazevic chegou a ficar triste com a eliminação nas semifinais, após perder por 2 a 1 para a França, mas, agora, garante que ficará feliz com o honroso terceiro lugar. Vamos fechar este Mundial com chave de ouro, sabendo que podemos pensar em atingir vôos mais altos, disse ele.
Antes da Copa, a participação dos 22 croatas era uma incógnita, apesar de todos jogarem em grandes clubes europeus. Mas nem mesmo os mais otimistas se aventuraram a dizer que o time chegaria tão longe. Fizemos tudo o que foi possível, declarou o atacante Davor Suker, que joga no Real Madrid. Firmamos a identidade de nosso pequeno país. Ficar em terceiro lugar, vencendo os fortes holandeses, será um prêmio a mais para nosso povo.
Já para os holandeses, disputar o que está sendo chamado de final de consolo é a confirmação do fracasso de um time que chegou ao Mundial se considerando superior ao Brasil. Até agora, a derrota nos pênaltis para os sul-americanos não foi digerida e todos procuram um estímulo para entrar em campo e vencer a Croácia. Está difícil. O time está com a moral muito baixa. Ninguém está fazendo questão de sair da Copa como terceiro colocado. Nunca pensamos que isso aconteceria e nem queríamos isso. Brigamos pelo título inédito, disse o técnico Guus Hiddink.
Ele espera, apesar de tudo, que seus jogadores reflitam e repitam as boas atuações contra Argentina e Brasil. Não quero desmerecer a vitória brasileira, até porque o time de Zagallo também lutou muito e teve mais sorte na loteria dos pênaltis.
Hiddink acha que a Seleção Holandesa já deve começar a pensar na Eurocopa de 2000, que será disputada na própria Holanda e na Bélgica. Não podemos arruinar a boa impressão que deixamos.
Entre os jogadores, o clima é o pior possível. Vamos jogar contra os croatas com a certeza de que nosso lugar seria no jogo de domingo e não no de sábado. Fizemos por merecer uma sorte melhor. Mas nossos torcedores podem ficar tranquilos que lutaremos por uma vitória, que nada valerá, afirmou o goleiro Van der Sar. Frank de Boer, por sua vez, acha que todos devem entrar em campo com a certeza de que a vitória será uma questão de honra.
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