"Hoje, Londrina na Série A é ilusão", admite Bellintani
Dono da SAF do clube admitiu que orçamento na base será baixo a curto prazo
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sábado, 27 de dezembro de 2025
Dono da SAF do clube admitiu que orçamento na base será baixo a curto prazo

O Londrina não trabalha, neste momento, com a ambição de chegar à Série A. A avaliação é do dono da Squadra Sports, a SAF que administra o clube, Guilherme Bellintani. Segundo ele, pensar em acesso hoje é uma “ilusão”, principalmente por causa do orçamento reduzido do LEC em comparação à maioria dos concorrentes da Série B do Campeonato Brasileiro. Em entrevista ao podcast Sport Insider, do jornalista Rodrigo Capelo, o empresário detalhou a realidade financeira do projeto e explicou por que a meta do clube para os próximos anos é menos imediatista e mais estruturada.
Bellintani ressaltou que o cenário do futebol brasileiro mudou e que, com a implantação do fair play financeiro, a competitividade dependerá cada vez mais da eficiência. “Podemos ter ambição esportiva sendo racionais. A indústria do futebol brasileiro vai premiar quem for mais eficiente, não tem mais jeito. Com a notícia do fair play, poderia se pensar que o absurdo duraria mais tempo, de clubes gastando muito e não pagando. Daqui a pouco isso vai acabar, se o sistema for implantado”, afirmou.
DISCIPLINA FINANCEIRA
Ele foi direto ao tratar das perspectivas do Londrina no curto prazo. “Eu diria que hoje não dá para o Londrina subir para a Série A com o orçamento que temos. É uma ilusão. Mas posso dizer que, em três anos, se os clubes continuarem gastando mal como estão, pode ser que eu comece a performar, enquanto minha dívida diminui e a dos outros aumenta”, avaliou o dirigente, ao projetar um cenário mais favorável caso o clube mantenha disciplina financeira e gestão eficiente.
Um dos pontos mais sensíveis apresentados por Bellintani diz respeito à categoria de base. Em 2025, o sub-20 do Londrina foi rebaixado no Campeonato Paranaense, reflexo do baixo investimento no setor. O empresário reconheceu a dificuldade de concorrer com clubes que destinam cifras incompatíveis com a realidade alviceleste. “Nós decidimos ir contra a lógica do modernismo do mercado. Eu não tenho dinheiro para investir em uma base próxima da Série A, que gasta R$ 20 ou R$ 30 milhões por ano. Uma estrutura intermediária custaria cerca de R$ 5 milhões anuais. Em quatro anos, seriam R$ 20 milhões, e para rentabilizar esse valor eu teria de vender um jogador por R$ 40 milhões. É viável? É muito difícil”, explicou.
JUVENTUDE E EXPERIÊNCIA
A estratégia adotada pela Squadra foi reduzir gastos em curto prazo e buscar parcerias. Segundo Bellintani, o modelo atual consiste em captar atletas formados por clubes da Série A que não serão aproveitados em seus elencos principais. “50% do Londrina, 50% do clube formador. Eu vou minutar o menino numa Série B, misturar com jogadores experientes. 50% do time precisa ser sub-23, não abrimos mão disso. Capto o jogador a custo zero e divido com o clube que gastou para formá-lo. Não preciso esperar oito anos para talvez rentabilizar alguém”, detalhou. Ele reforçou que o segredo está no equilíbrio entre juventude e experiência, citando a necessidade de ter sempre um jovem concorrendo com um veterano da mesma posição.
O exemplo mais citado por Bellintani é o zagueiro Caio, considerado um caso de sucesso no primeiro ciclo da SAF. O jogador chegou ao Londrina após disputar a Copa São Paulo pelo Botafogo-SP e ficar sem contrato. Pouco tempo depois, estava no time principal, tornando-se destaque no Campeonato Paranaense e titular durante boa parte da Série C até sofrer uma lesão no joelho.
"Um caso emblemático do nosso primeiro ciclo é o Caio, 20 anos. Fez Copa São Paulo pelo Botafogo-SP, acabou a Copinha sem contrato, meus analistas olham e trazem o nome para mim, isso em 2024: 'tem potencial para ser jogador'", contou o empresário.
"Veio e virou titular do Londrina no Campeonato Paranaense, revelação no Paranaense. Foi titular na Série C inteira até romper os ligamentos. Jogador de 20 anos e performou, fez vários jogos na Série C e no Paranaense. Eu peguei esse jogador livre, coloquei para jogar ao lado do Wallace, super experiente, um professor. E qualquer zagueiro como o Wallace, que não tem mais a mesma fibra rápida e o mesmo ímpeto físico, vai adorar ter um menino de 20 anos para correr mais. E um menino de 20 anos vai adorar ter um Wallace para aprender. E quanto gastei nesse menino? Zero", seguiu.
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LONGO PRAZO
Além do trabalho esportivo, Bellintani explicou que o projeto da Squadra no Londrina é de longo prazo e envolve a valorização institucional do clube. A empresa administra também Linense, Ypiranga-BA, Conquista-BA e VF4-PB, usados como complemento para a formação de atletas. O plano agora se expande para o exterior, com negociações para adquirir uma equipe da Liga 3 de Portugal. “Quando compro o Londrina na baixa e subimos para a Série B, o clube já tem outro valor de mercado. A compra original é longa, de seis a dez anos, pagando dívida”, explicou.
O dirigente detalhou ainda como os recursos foram aplicados desde o início da SAF. Primeiro, com capital próprio. Depois, com os R$ 16 milhões recebidos pela venda dos 10% dos ativos da Liga Forte União (LFU), dinheiro usado para pagar dívidas e reformar o VGD. “Não peguei esse dinheiro para fazer time milionário. Peguei para reformar o VGD. É o que transformou o público médio do Londrina, que passou de 1.500 para mais de 5.500 pessoas”, afirmou. Parte do valor também foi usada para adquirir o terreno do futuro centro de treinamento, cuja construção está prevista para começar no início de 2026.
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SEGREDO: GERENCIAR O CUSTO
Mais recentemente, a Squadra recebeu mais de R$ 30 milhões de investidores em uma rodada que envolveu a venda de 15% da empresa para family offices. Com isso, o projeto ganhou reforço para continuar reduzindo dívidas sem gerar novas. “Tivemos a 12ª folha da Série C e terminamos em 2º lugar. O dinheiro vem da racionalidade e do uso estratégico. O Londrina vai reduzindo dívida e não gera nova dívida. O segredo é gerenciar bem o custo”, afirmou Bellintani.
Para 2026, o orçamento previsto é de R$ 26 a 27 milhões, sendo R$ 20 milhões destinados ao futebol. Bellintani afirma que não há condições de montar uma das maiores folhas salariais da Série B sem comprometer o equilíbrio financeiro. “Tenho que estar no quarto de baixo: a 5ª, 6ª ou 7ª menor folha da Série B e atuar no meio da tabela. Esse é o planejamento: ficar no meio da tabela com custo de fim de tabela. Aí entra o trabalho do departamento de análise”, concluiu.


Matheus Camargo
Repórter de Esportes, com foco no Londrina Esporte Clube.





