Histórias diferentes e o mesmo sonho
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quarta-feira, 18 de janeiro de 2006
Jaime Kaster<br> Reportagem Local 
Pouca gente talvez saiba, mas o atletismo de Londrina já teve um representante numa Olimpíada (Atlanta-96) e ganhou medalha de prata nos Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, no Canadá, em 1999. É Cleverson Oliveira da Silva, 32 anos, que nasceu e cresceu em Londrina e se tornou conhecido depois que foi para São Paulo, em 1994, defender a Funilense (a maior equipe do País, hoje chamada BM&F).
No começo do ano passado ele decidiu retornar a Londrina para aproveitar a nova estrutura da equipe local e para fugir da violência e do stress que viveu nos últimos 12 anos na capital paulista.
''Voltei para ficar mais próximo da família e também porque eu e minha esposa pretendemos ter um filho e não vemos como criá-lo naquela correria que é São Paulo'', disse Cleverson, que ainda sonha em disputar mais uma Olimpíada, a de Pequim-2008. ''Só depois é que penso em abandonar as pistas para me dedicar a outra profissão que pretendo seguir: professor de Educação Física'', acrescentou.
Cleverson e outro atleta da equipe Londrina/Caixa/Sercomtel/Consórcio União, o maranhense José Carlos Gomes Moreira, 22, foram pré-convocados na semana passada para os Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007. A pré-convocação é resultado do bom desempenho dos dois no Troféu Brasil de 2005, no qual José Carlos conquistou o quarto lugar nos 100m rasos e Cleverson foi prata nos 400m com barreiras.
Para manter a convocação, os atletas precisam continuar entre os primeiros do ranking nacional até julho de 2007. Cleverson é o brasileiro melhor colocado no ranking mundial nos 400m com barreiras, com a marca de 49s72. Como o nível internacional é muito alto ele é apenas o 48º nesta lista.
Além dos dois atletas, também foram pré-convocados os técnicos da equipe local Eugênio Zaninelli e Gilberto Miranda.
A história de Cleverson é bem diferente da de José Carlos. O primeiro já é atleta consagrado e treinou por 12 anos na maior equipe do País, enquanto o segundo ainda está no começo de carreira. Cleverson começou aos 12 anos com o Zaninelli, em Londrina, e aos 19 se mudou para São Paulo. Como as competições eram aos finais de semana, conseguiu terminar aqui o curso de Educação Física.
Na equipe paulista chegou ao status de ter uma empresária que todo ano agendava competições para ele na Europa, entre os meses de junho e julho. Continuou os estudos e fez pós-graduação em treinamento esportivo na Unicamp. De volta a Londrina, pretende coordenar no futuro uma escolinha de atletismo e ser professor da UEL.
Já José Carlos, maranhense de Codó, cidade a 400 quilômetros ao Sul de São Luís, treina com equipes de ponta há apenas três anos. Nascido em uma família de oito filhos o pai é carpinteiro e a mãe dona de casa o atleta teve uma infância pobre, mas garante nunca ter ''passado necessidade''. Ele ajudava o pai nos serviços de carpintaria e só podia treinar depois das 16 horas. ''E à noite ainda tinha que ir para a aula'', lembra ele. Hoje, com o salário de atleta, tem uma vida mais tranquila, mas ainda luta para terminar os estudos cursa o 2º colegial no Colégio Vicente Rijo.


