Histórias de sofrimento e limitações
O maior xodó da turma do Nossa Senhora da Paz é a baixinha Gabriela da Silva, 9 anos, que joga junto com os meninos de sua idade nos campeonatos de futsal dos quais a escolinha consegue participar. Recentemente, o coordenador Roberto de Oliveira precisou pedir autorização especial dos organizadores para que a pupila pudesse disputar a Copa Sesc na categoria fraldinha. ''Essa aí é boa de bola, tio. Dá pedalada e 'dibra' os moleques'', contam, animados, os garotos da equipe.
Gabriela tomou gosto pelo futebol influenciada pelo irmão mais velho, Bruno Henrique, uma das maiores promessas da escolinha, segundo os treinadores, mas que precisou parar de treinar para ajudar a sustentar a família. Bruno se tornou o arrimo da família Silva com apenas 16 anos, depois que a mãe começou a ter problemas nos ossos e não conseguiu mais ''pegar no batente''. Já o pai não arruma emprego porque é surdo-mudo.
Quem poderá tomar o mesmo caminho de Bruno é o pequeno Lucas Segantin, 11, que tem dois irmãos mais novos e sua família passa por dificuldades. ''Mas vou fazer de tudo para continuar na escolinha, senão não cresço no futebol'', diz o goleiro, que é torcedor do São Paulo e fã de Rogério Ceni. No atual Campeonato Criança em Campo ele ainda não sofreu gol nos dois jogos que disputou. (J.K.)





