A sensação que se tem ao entrar no Museu do Futebol Sul-Americano no Paraguai é semelhante a de quem assiste pela primeira vez o time do coração jogar no Maracanã. É pura emoção e nem precisa ser fanático pelo esporte para perceber que a grandiosidade da obra paraguaia eterniza, em quase 1,5 mil metros quadrados, a história do continente nove vezes campeão do mundo.
Tão apaixonados quanto os brasileiros e argentinos pelo esporte, os paraguaios vibram, torcem e podem bater no peito e dizer que o país deles é a casa dos boleiros no continente. Pois é lá, na pequena Luque, Região Metropolitana de Assunção, que está a sede da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol), responsável pelo museu que foi construído ao lado Bourbon Conmebol Assunção Convention Hotel, inaugurado em setembro do ano passado. Os investimentos da Conmebol no complexo chegaram a US$ 20 milhões.
Passeio obrigatório em terras paraguaias, o museu impressiona pela beleza e pelo acervo de vídeos e imagens que mostram os melhores lances do futebol sul-americano. Desde a sua inauguração, o museu recebe apenas visitas guiadas e pré-agendadas. Com um conhecimento absurdo sobre futebol, o guia discorre sobre o acervo e vai respondendo às curiosas perguntas dos visitantes.
Logo no hall de entrada as atrações chamam a atenção, são bandeiras seguidas de vídeos com momentos das dez seleções que compõem a confederação - Brasil, Paraguai, Uruguai, Argentina, Chile, Peru, Bolívia, Equador, Venezuela e Colômbia. Vídeos do presidente da Conmebol, Nicolás Leoz, e dos presidentes de honra e efetivo da Fifa, João Havelange e Joseph Battler, dão boas vindas aos visitantes.
Num mesmo salão, um corredor reluzente é formado pela réplicas das taças sul-americanas mais importantes, desde a cobiçada Libertadores que, às véspera da visita da reportagem, teve o Corinthians como vencedor, até a extinta Supercopa. Os clubes também têm seu espaço com a exposição de flâmulas das mais inimagináveis agremiações. Mapas interativos, inclusive, ajudam a identificar a origem de clubes menos cotados como o Grêmio Maringá.
As bandeirinhas penduradas na parede levam o visitante ao ponto interativo do museu, separado por fatos históricos de seleções e clubes, sempre acompanhados de vídeos, fotos e narrações. Na parte destinada a equipes nacionais, 10 espaços contam as conquistas de cada país, além de personificarem em pinturas em tamanho real seus ídolos maiores, como Pelé, Maradona, o chileno Elias Figueroa, o colombiano Valderrama, entre outros. No lado aposto ao futebol, é possível perceber também a exposição de parte da cultura de cada nação.
Dono do maior painel no local, o Brasil exalta craques das cinco conquistas de Copa do Mundo, treinadores, dirigentes. A figura de Pelé dando uma bicicleta é o ponto central de um mural de craques do nível de Didi, Garrincha, Nilton Santos, Romário, Ronaldo e outros profissionais, como o árbitro Arnaldo Cézar Coelho.
Numa outra ala, totens contam a história de cada conquista desde 1960, ano de criação da Taça Libertadores, com imagens das decisões e detalhes dos mais variados campeonatos organizados pela Conmebol. Santos, São Paulo, Palmeiras, Flamengo, Vasco, Botafogo, Cruzeiro, Atlético-MG, Internacional e Grêmio representam o Brasil no espaço.
A parte final do passeio traz um gigantesco painel que evidencia a mudança das torcidas sul-americanas ao longo dos tempos e leva o visitante a um cinema em 180 graus. No local é apresentado um filme de cerca de 15 minutos que começa exaltando o sentimento provocado pelo esporte mais popular do planeta.
* A jornalista viajou a Assunção a convite do Bourbon Conmebol Convention Hotel

mockup