História de glórias, desmandos e incertezas
História de
glórias, desmandos
e incertezas
De Londrina
A história do Londrina está intimamente ligada ao Nacional, de Rolândia, onde o futebol surgiu em 1947 e atraía a atenção de todo o Norte do Paraná. Foi após um amistoso entre o Nacional e o Vasco da Gama, em 1956, que um grupo de esportistas londrinenses lançou a idéia da criação de um time de futebol na cidade. No dia 5 de abril de 1956, no Hotel Monções, foi assinada a ata de fundação do então Londrina Futebol Clube, nas cores azul e branca, tendo como primeiro presidente Fioravante Bordin.
O primeiro jogo da equipe aconteceu dois meses depois. Em 24 de junho, o Londrina estreava no futebol com um empate de 1 a 1 contra o Corinthians Prudentino, em um amistoso disputado no Estádio Vitorino Gonçalves Dias. A primeira vitória só veio na quarta partida do time: 4 a 1 sobre a Platinense, no dia 7 julho do mesmo ano. Em 1959, o então presidente Carlos Antônio Franchello decidiu trocar o nome da equipe para Londrina Futebol e Regatas e assim receber do governo estadual a doação de um terreno para a construção de uma sede social na zona oeste da cidade.
Seis anos após sua fundação, o Londrina, então apelidado de Caçula Gigante, chegava ao seu primeiro título estadual na presidência do folclórico Franchello. Foi em 1962, quando o Paranaense foi decidido em um triangular entre Londrina (campeão do Norte), Cambaraense (campeão do Norte Pioneiro) e Coritiba (campeão do Sul). O título veio com uma rodada de antecipação com a goleada de 4 a 2 sobre o Coritiba. O destaque foi o centroavante Gauchinho, artilheiro do time com 18 gols.
Em janeiro de 1970, o Londrina mudou de cor e nome após a fusão com o Paraná Esporte Clube. Surgia aí o Londrina Esporte Clube nas cores vermelha e branca, as mesmas da bandeira da cidade. Somente em 1972 a equipe retomaria as cores originais azul e branca.
Os rumos da equipe começaram a mudar a partir do Campeonato Paranaense de 1976, na gestão de Jacy Scaff. Montando um time experiente, com o meia-esquerda Paraná (ex-São Paulo), o zagueiro Arenghi (ex-Portuguesa-SP), o goleiro Paulo Rogério, o meia Carlos Alberto Garcia e o ponta-esquerda Marco Antônio (todos do Corinthians), o clube conquistou a torcida com jogos memoráveis e goleadas arrasadoras sobre seus adversários. Veio daí o apelido de Tubarão, inspirado no filme de sucesso na época que arrastava multidões aos cinemas.
A boa campanha no Estadual e o jogo político da então Confederação Brasileira de Desportos (CBD) a frase onde a Arena vai mal, mais um time no Nacional retratou bem o enlace entre futebol e política no País foram um passo decisivo para que o time conseguisse uma vaga no Campeonato Nacional em agosto de 1976. O Estádio do Café, com capacidade para 45 mil pessoas, foi construído em tempo recorde para que o time pudesse participar da competição.
No ano seguinte, 1977, o clube fez até hoje a sua mais marcante campanha num Campeonato Brasileiro tornando-se conhecido até no Exterior. Eliminou times como Flamengo, Corinthians, Santos e Vasco e chegou à quarta colocação do Nacional, perdendo a vaga na final para o Atlético Mineiro, de Reinaldo e Toninho Cerezo. O time do falecido técnico Armando Renganeschi tinha nomes como Zé Roberto, Ademar, Xaxá, Carlos Alberto Garcia, Brandão e Nenê. O presidente Carlos Antônio Franchello virou destaque nacional com seu jeito brincalhão e até arranhou um espanhol em alusão à possível ida do time à Taça Libertadores.
Apesar do sucesso alcançado, os dirigentes não souberam capitalizar o retorno de mídia e público que o clube teve na época. O time voltou a ter altos e baixos. Em 1980, o Tubarão voltou ao cenário nacional ao vencer a Taça de Prata espécie de segunda divisão nacional ganhando do CSA (AL), na final. Os destaques do time dirigido por Jair Bala eram o volante Vanderlei Paiva (hoje treinador), o meia Éverton (uma das principais revelações do clube) e Paulinho (o quinto maior artilheiro do time com 60 gols).
Mantendo a base campeã da Taça de Prata, o clube se deu bem também no Campeonato Paranaense de 1981. O segundo título estadual da história do Londrina veio numa final emocionante contra o rival Grêmio Maringá. O LEC venceu os dois jogos: 3 a 2, em Maringá, e 2 a 1, em Londrina, com atuação destacada da dupla Paulinho e Carlos Henrique e do goleiro Neneca, comandados pelo técnico linha dura Urubatão Calvo Nunes.
O restante da década de 80 do Londrina foi novamente pontilhada por sobressaltos. O clube só viria a conquistar outro título estadual em 1992, numa final contra outro ferrenho rival: o União Bandeirante. Foram três jogos no Estádio do Café e o título só veio com a vitória de 1 a 0 no último confronto. O time, que não tinha grandes estrelas, era orientado por Varlei de Carvalho, ex-ponta-direita do time nos anos 60.
A partir de 1993, o clube deixou de participar da primeira divisão do futebol brasileiro. Esta fase culminou também com uma série de crises financeiras, responsável direta pelo rebaixamento do Londrina à segunda divisão do Paranaense em 1998.
O período crítico da história do Londrina começou com a gestão do presidente Marcelo Caldarelli, eleito para o período 1996/97. Ex-jogador do próprio clube, Caldarelli trouxe o ator Nuno Leal Maia para dirigir o time, numa jogada de marketing para chamar a atenção da mídia nacional. Não demorou muito e o time virou chacota nacional, quando Caldarelli decidiu premiar os jogadores com um boi vivo promessa não cumprida. Má administração e negócios frustrados mergulharam o clube num mar de dívidas. Ele renunciaria ao cargo um ano depois de assumir. De lá pra cá, o clube enfrenta intermináveis ações na justiça trabalhista: são jogadores, técnicos e ex-funcionários demitidos reclamando o direito de receber salários e prêmios não pagos.
No segundo semestre de 1996, surgiu a Sociedade Amigos do Londrina (SAL) para terceirizar o departamento de futebol do clube. A SAL ficou à frente do clube até 1998 sem resolver os principais problemas a que se propunha. Pior: em alguns casos, agravou a crise financeira do clube ao não pagar compromissos assumidos, como com o técnico Márcio Alcântara (ex-zagueiro do clube) que dirigiu o time na Série B em 1997 (confirmar) e mantém uma ação indenizatória contra o clube.
O rebaixamento do Londrina para segundona paranaense em 1998 pôs fim ao acordo com a SAL. O vereador Célio Guergoletto assumiu o cargo de coordenador-geral durante a campanha no Brasileiro da Série B de 1998, na qual o time chegou ao quadrangular final e por pouco não conquistou uma vaga para o Brasileirão da Série A.
Em 1999, o clube disputou e conquistou com méritos o título da Série A-2 Paranaense e garantiu seu retorno à primeira divisão estadual. Ainda sem conseguir um patrocínio forte e administrado ainda de forma semiprofissional, o Londrina busca um caminho para solidificar o seu futuro. O ano de 2000 começa de maneira modesta para um clube que sonha ser grande. A torcida não se empolga em apoiar um time fraco tecnicamente e com objetivos modestos no Campeonato Paranaense.
A última tentativa de captação de recursos é a tal bolsa de jogadores, pela qual um grupo de empresários está repassando R$ 50 mil mensais ao clube, que cederia à bolsa o passe de alguns jogadores. Apesar do dinheiro já estar sendo repassado, a bolsa da qual qualquer pessoa pode participar, com cota mínima de R$ 1 mil ainda não saiu do papel. Em reportagem de duas semanas atrás, torcedores disseram à Folha que só investiriam na idéia caso a proposta seja implementada com transparência.





