São Paulo, 11 (AE) - O atacante Sandro Hiroshi, que teve a suspensão de 180 dias confirmada pelo Tribunal de Justiça Desportiva (TJD) na quinta-feira, deve entrar, no início da próxima semana, com uma ação na Justiça do Trabalho para garantir o direito de exercer sua profissão. Ele será assessorado por advogados do São Paulo. A informação é de José Dias, diretor de Futebol. Se cumprir toda a punição, Hiroshi só poderá voltar aos gramados no fim de abril.
O procurador do jogador, Edson Fascina, confirmou hoje que a idéia é mesmo entrar com uma ação na Justiça comum. "Vamos fazer de tudo para inverter esta situação", garantiu. Em dezembro, Hiroshi havia conseguido um efeito suspensivo da punição, que acabou com o julgamento do caso na última instância no âmbito esportivo. "O tribunal ignorou a Lei Pelé", protestou Dias. Segundo a lei, o atleta deve cumprir, no máximo, 29 dias, com o restante da suspensão transformada em multa.
Uma ação na Justiça comum será baseada na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), que prevê suspensão máxima de 30 dias para o trabalhador. Hiroshi ainda terá outro problema pela frente. O presidente do TJD, Luís Zveiter, disse hoje que vai encaminhar o caso ao Ministério Público Federal por haver "indícios de falsificação". Hiroshi continuou sem falar com a imprensa hoje.
Os jogadores do São Paulo reagiram com indignação à punição, mas não esboçaram nenhuma intenção de promover algum ato de solidariedade, a exemplo do que acontecera no ano passado. "Não esperávamos que a suspensão fosse mantida; foi uma grande decepção para todos nós", disse Raí, uma espécie de líder dos atletas. "Mas ele é jovem e tem bastante potencial." Raí acredita, porém, que os atletas nada podem fazer por Hiroshi. "Ele já cumpriu grande parte da suspensão e não seria vantajoso fazer qualquer coisa agora", afirma. O goleiro Rogério, outro que é contra a punição ao atacante, também acha que Hiroshi deve, sim, esperar o fim da suspensão.
O técnico Levir Culpi disse que conversou com o jogador, que estava bastante abatido. "O Hiroshi tem uma boa estrutura e vai saber superar isso", opinou. Segundo Levir, Hiroshi, aos 14 anos, não sabia o que estava fazendo.

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