Agência Estado
De Winnipeg, Canadá
A primeira medalha de ouro do Brasil, ontem, nos Jogos Pan-Americanos, veio dos saltos, com a equipe de hipismo. A vitória dos cavaleiros brasileiros começou a se definir após o bom desempenho no primeiro dia de competição, quando Bernardo Rezende Alves (montando Athletica), terminou em 1º lugar com zero ponto por falta. E a confirmação veio ontem com Bernardo repetindo o feito e a boa apresentação de Álvaro de Miranda Neto , o Doda (Aspen), André Johannpeter (Calei Joter) e Vitor Alves Teixeira (Jolly Boy). No final, o Brasil só perdeu 10,79 pontos por faltas e conquistou o tri.
Esta foi a quarta medalha de ouro que o hipismo do Brasil obteve em Pan. A primeira veio há 32 anos, também em Winnipeg. Ontem, a medalha de prata poi para os EUA e a de bronze ficou com o Canadá. Amanhã, haverá a disputa pelo título individual e o Brasil tem chances de ouro com Bernardo Alves.
O grande herói da conquista foi o mineiro Bernardo Rezende Alves, de 24 anos, que não cometeu um erro sequer nos três percursos durante os dois dias de prova. Por esse motivo, amanhã, ele vai começar o concurso individual.
As medalhas de prata e de bronze ficaram, respectivamente, com os Estados Unidos e Canadá. Como curiosidade, a ordem do pódio foi a mesma de há 32 anos, também em Winnipeg, quando o Brasil ganhou a primeira de suas quatro medalhas de ouro.
O maior cavaleiro do Brasil na atualidade, Rodrigo Pessoa, campeão mundial e bicampeão da Copa do Mundo, não tem a menor dúvida de que a equipe de saltos do Brasil pode ganhar uma medalha na Olimpíada de SIdney, no ano que vem. Mas foi bem claro, ao afirmar que a Confederação Brasileira de Hipismo (CBH) tem de ser ‘‘mais organizada, pontual e séria’’, para que o transporte dos cavalos para a Austrália não enfrente os mesmos contratempos da viagem a Winnipeg.
‘‘Eu, particularmente, vou botar uma pressão muito grande na CBH para ver se tudo sai direito dessa vez’’, afirmou o cavaleiro, dizendo que, na segunda-feira, de volta a Europa, já vai estar tratando desse assunto com a entidade. Rodrigo referia-se aos vários problemas que cercaram a viagem dos cavalos, de São Paulo a Winnipeg. Primeiro a viagem foi adiada - o avião da Força Aérea, contratado pelo Comitê Olímpico Brasileiro (COB), não tinha altura suficiente para transportar os cavalos.
Depois os animais esperaram um dia inteiro, dentro de caminhões, no sol, na Base Aérea de Cumbica, até que a segunda empresa contratada pudesse adaptar o avião para fazer um vôo misto, transportando os cavalos e as pessoas - veterinários e tratadores - que os acompanham neste tipo de viagem. ‘‘Ainda bem que foi possível e que a equipe teve tempo de recuperar os cavalos aqui, mas isso não pode ocorrer de forma alguma.’’
No Canadá, Rodrigo, de celular na cintura e ‘‘montado’’ em uma bicicleta, tem corrido de um lado para o outro, entre as cocheiras e o percurso montado no Parque Red River, para dar assistência aos cavaleiros do Brasil que estão competindo.

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