Hill e Diniz mostram o Arrows
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sexta-feira, 10 de janeiro de 1997
Silvio Oricchio Agência Estado 
Enquanto o campeão do mundo, Damon Hill, e Pedro Paulo Diniz caminhavam atrás de uma pequena banda que tocava, na direção do estande da TWR, fogos de artifício ajudavam a compor o cenário de apresentação do carro na equipe Arrows-Yamaha, ontem no Salão do Automóvel de Competição de Birmingham, Inglaterra. Nem a fina neve que caia sobre o National Exhibition Center, imponente pavilhão de exposições, impediu que centenas de fãs do piloto inglês acompanhassem um dos mais concorridos lançamentos dos últimos anos.
Coube ao proprietário da TWR, organização esportiva a quem pertence a Arrows, o escocês Tom Walkinshaw, retirar ao lado de Pedro Paulo Diniz o pano que cobria o modelo A18 do time britânico. O papel de Hill veio a seguir: vestindo o macacão azul que usará, sentou no pneu esquerdo dianteiro e lentamente retirou um plástico que cobria o número um exposto no carro. Dezenas de fotógrafos registraram a cena, com o piloto acenando com o indicador esquerdo o número 1, designado ao compeão do mundo na temporada anterior.
Apesar das críticas violentas desferidas pela imprensa inglesa quando perdeu o título de 1995 para Michael Schumacher, Damon Hill mostrou ontem ter um fã-clube grande em seu país. Nada que se compare à febre despertada por Nigel Mansell, em 1992, mas bem acima das expectativas para quem é tratado como um profissional limitado e sem o carisma dos grandes campeões, como Mansell e seu próprio pai, Graham Hill, vencedor dos Mundiais de 1962 e 1968.
Pedro Paulo Diniz está entusiasmado com a chance de competir numa equipe reestruturada e estimulada pela presença do campeão do mundo. Pela primeira vez sentamos juntos numa mesa e trocamos algumas idéias, disse Pedro, referindo a um jantar promovido por Walkinshaw, em sua casa, quarta-feira. Hill me pareceu ser bastante acessível, acho que não teremos problemas de relacionamento, previu.
O projetista do A18, o inglês Frank Dernie, reclamou da falta de tempo para trabalhar melhor seu carro. Não deu, por exemplo, para repensar o câmbio, ele é quase o mesmo do FA17. Todo o restante, no entanto, ressalta que foi idealizado a partir de uma página em branco no computador. A Yamaha faz parte do projeto de Walkinshaw de elevar a Arrows a uma das organizações de ponta da Fórmula 1. Para a quarta corrida do ano está prevista a estréia de um motor V-10 completamente novo. A versão que será utilizada nas três primeiras provas do campeonato é uma evolução do fracassado motor que concluiu a temporada com a Tyrrell. Eles procuraram fazer um V-10 tão leve (pouco menos de 100 quilos) que se rompia a toda hora, contou Pedro. A nova versão é mais pesada e menos sensível à quebras.
A grande estrela do A18 parece ser os seus pneus, da marca Bridgestone. Tanto Hill quanto Pedro apostam que muito da performance da Arrows virá dos eficientes pneus japoneses. Em alguns circuitos eles poderão ser dois segundos mais velozes que os da Goodyear, afirmou Hill. O novo carro da Arrows faz seu primeiro ensaio dia 14 em Silverstone e nos dias 16 e 17 estará em Jerez de la Frontera, Espanha, para efetivamente começar a ser desenvolvido.


