Hill diz que está difícil encontrar motivação para continuar competindo
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quarta-feira, 23 de junho de 1999
Por Livio Oricchio 
Magny-Cours, França, 24 (AE) - Se Damon Hill ainda fosse piloto de Tom Walkinshaw, na Arrows, e não da Jordan, certamente ouviria do escocês: "Se U$ 8 milhões por ano não são capazes de lhe estimular a continuar competindo, então o melhor é ficar em casa agora." O campeão do mundo de 1996 confirmou hoje em Magny-Cours, onde amanhã começam os treinos livres do GP da França, que pára mesmo de correr, no fim do ano ou até antes. "Está sendo muito difícil para mim ir até o autódromo a fim de treinar ou disputar um GP", revelou Hill. Bernie Ecclestone, promotor do show, quer Hill fora da Fórmula 1 já.
De bom humor e até solicitando para a imprensa não divulgar suas preferências por esportes radicais, para não preocupar sua esposa, Georgie, Damon Hill expôs francamente seu momento: "A motivação na Fórmula 1 é como apertar uma pasta de dente", exemplificou o piloto.
"Quando ela é nova, é fácil tirar a pasta do tubo, mas quando ela vai acabando é preciso fazer mais e mais força." Ele descartou a possibilidade de se transferir para a Fórmula Indy, como chegou a se comentar.
"Vou satisfazer meu gosto pela velocidade com minhas motocicletas e praticando sky diving (modalidade arrojada de pára-quedismo)." Em seguida pediu aos jornalistas: "Por favor não divulguem isso que minha mulher ficará preocupada." Toda essa franqueza pode fazer com que Eddie Jordan, proprietário da sua equipe, aposente Hill, compulsoriamente, antes do planejado pelo piloto inglês, que no dia 17 de setembro completará 39 anos. Na Fórmula 1 os rumores são de que Hill abandonará as pistas, por contra própria ou "recomendado", depois do GP da Grã-Bretanha, etapa seguinte à da França, dia 11 de julho.
O atual campeão do mundo, Mika Hakkinen, da McLaren, comentou hoje que gostaria de surpreender Michael Schumacher, como no Canadá. "Lá ele era o favorito, como aqui, mas fui eu que ganhei." Schumacher venceu quatro das cinco últimas edições do GP da França. O alemão da Ferrari respondeu que, de fato, sempre se deu bem no circuito de Magny-Cours, mas na pista de Montreal também era assim e todos viram o que aconteceu. "Até aceito ficar em segundo aqui na França, desde que o vencedor não seja Hakkinen", afirmou. O piloto da McLaren lidera a classificação, com 34 pontos, contra 30 de Schumacher. O GP da França é a sétima etapa da temporada.
Jean Todt, o polêmico diretor esportivo da Ferrari, está completando em Magny-Cours seis anos de trabalhos na escuderia de Maranello. "Sei que vocês devem estar pensando que eu estou aqui há tanto tempo e a Ferrari nunca foi campeã", disse Todt. "Posso garantir que evoluímos muito e só não somos líderes, hoje, do campeonato de pilotos porque Schumacher errou no Canadá." Apesar da declaração, o francês se preocupou em defender seu piloto, reiterando que todos erram na Fórmula 1.


