Hicks Muse espera 30% de lucro no Corinthians
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terça-feira, 27 de abril de 1999
Por Renan Antunes de Oliveira Especial para a Agência Estado 
Nova York, 28 (AE) - A firma de investimentos americana Hicks Muse espera que o Corinthians renda, fora do campo, 30 centavos por dólar aplicado, enquanto durar a parceria, prevista para ser de dez anos. "O clube tem potencial para isso", afirma o presidente da empresa, Charles Tate, de 54 anos.
Do campo para dentro, ele deixa as coisas com a diretoria do clube, que vai trabalhar em São Paulo. Mesmo porque o esporte não é nenhum paixão antiga; é apenas o segundo na preferência de Tate, um torcedor fanático do time de futebol americano da Texas University - nada de soccer à brasileira.
Tate tem dois filhos adolescentes que jogam soccer na escola. "O esporte está crescendo nos Estados Unidos", diz, sem entusiasmo. Sua experiência marcante no futebol foi durante a Copa de 1966. "Eu estava na Alemanha, quando o time deles chegou em casa, derrotado pela Inglaterra," lembra.
O homem nunca viu o Corinhians jogando, exceto por teipes. Mesmo assim sabe mais sobre o time do que muitos torcedores daqueles que vão aos treinos. Ele diz que já estudou a história e as finanças do clube nos mínimos detalhes. E conhece o Alvinegro em versão eletrônica - tem tudo em seu computador, no Texas, sede da empresa.
Tate diz que o investimento tem tudo para dar certo. "Não quero fazer críticas ao modo como o clube vinha sendo gerenciado
mas o potencial não era bem explorado."
De saída, Tate vê "boas possibilidades de explorar os 17 milhões de torcedores potenciais do time, com venda de artigos com a marca e as transmissões pay-per-view" - a Hicks Muse tem concessões de TV a cabo em Salvador, Juiz de Fora, Niterói, São Gonçalo, Paulista e Aracaju. No momento, a empresa está disputando uma grande praça brasileira, que ele prefere não revela qual é.
Tate é um craque em investimentos. A firma Hicks Muse gerencia cinco fundos privados (que não podem ser confundidos com os de pensões), no total de US$ 34 bilhões.
Gol certo - O Corinthians, agora, faz parte de apenas um deles
o que opera na América Latina, com limite US$ 963 milhões. Como gerenciadora, a Hicks Muse tem de prestar conta aos investidores - e eles querem um retorno de 30% do capital aplicado. O Corinthians nunca vai poder sair do fundo de US$ 963 milhões. E é só dele que o clube vai receber os recursos que precisar. Nada de sonhar com a fonte dos US$ 34 bilhões.
Pelo sistema da empresa, cada centavo para o time vai precisar do sim de mister Tate. E é bom que sejam boas propostas, porque a cartilha de investimentos da Hick Muse reza que "a ausência de riscos aumenta o grau de segurança do investidor"- um gol certo.
A Hicks Muse não tem experiência em grandes investimentos nos esportes. Um de seus donos, Thomas Hicks, é também dono de dois times americanos, o Texas Rangers, de basebol, e o Dallas Stars, de hóquei - mas a firma tem o Corinthians como sua primeira aplicação direta.
Mister Tate não vê dificuldades. "Nossa parceria é feita com gente que tem experiência em soccer; portanto, ficamos só cuidando da parte financeira."


