Santa Cruz Cabrália, BA - A angustiante vitória da Alemanha sobre a Argélia, pelas oitavas de final da Copa do Mundo, teve um herói "oculto", alguém que não ganhou as manchetes dos jornais, mas foi fundamental para que a seleção alemã evitasse uma catástrofe histórica. O goleiro Manuel Neuer não fez intervenções milagrosas sob as traves, mas salvou sua seleção jogando como um zagueiro. E um zagueiro dos bons, diga-se de passagem.
Que Neuer gosta de jogar adiantado para participar das trocas de passes da defesa alemã, isso já se sabia. O que se viu no Beira-Rio, no entanto, foi outra coisa. Em vários momentos, o goleiro do Bayern de Munique abandonou sua área para desarmar os velozes atacantes argelinos. E não perdeu nenhuma dessas disputas, embora em algumas delas tenha chegado à bola no último instante possível, deixando os torcedores alemães - e até os espectadores neutros - com o coração na boca. As virtudes de Neuer como zagueiro não passaram despercebidas por Joachim Löw. O treinador da Alemanha disse após a partida contra os argelinos que seu goleiro tem mesmo facilidade para jogar com os pés e que isso beneficia bastante a equipe.
"Acho que Neuer fez uma partida extraordinária", comentou o treinador. "Ele não tem de jogar em cima da linha de gol. Foi importante ele ter entrado em ação nos lançamentos longos da Argélia, ele jogou como um líbero e nos salvou várias vezes na última fração de segundo."

BURACOS
É conveniente para o treinador alemão exaltar a notável atuação de seu goleiro, mas há algo que ele não pode deixar de reconhecer, ainda que não o faça em público: se Neuer teve de sair tantas vezes de sua área para evitar o gol da Argélia, foi porque seus zagueiros falharam na missão de conter os atacantes da equipe africana.
A linha de defesa da Alemanha na segunda-feira foi formada, mais uma vez, por quatro típicos zagueiros: Mustafi, Mertesacker, Boateng e Höwedes (Hummels, que é titular, não jogou por estar gripado). São jogadores com pouca mobilidade e isso foi exposto ao mundo pelos argelinos. Cada passe longo para o rápido Slimani era um pesadelo para a Alemanha, pois os zagueiros jogaram muito adiantados e não tinham velocidade para acompanhar o adversário. Sobrava, então, para Neuer a tarefa de salvar a pátria.
Na sexta-feira, esse defeito poderá custar muito caro no jogo contra a França, especialmente se o treinador francês Didier Deschamps escalar os ligeiros Valbuena e Griezmann, atacantes que jogam pelas beiradas do campo. Joachim Löw terá só dois dias para descobrir uma maneira de evitar que sua defesa fique tão exposta quanto ficou na partida contra os argelinos. Do contrário, terá de rezar por outra grande atuação de seu zagueiro mais eficiente. Um zagueiro que usa luvas e veste um uniforme diferente dos demais.

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