Edson Luciano Ribeiro, o ‘‘Lamparina’’, 27 anos, medalha de prata no revezamento 4 x 100 m do Brasil nos Jogos Olímpicos de Sydney, e que teve uma recepção digna de herói na última quinta-feira, em Bandeirantes, começou sua carreira no atletismo quase por acaso. Quando moleque, jogava futebol pelas ruas da cidade. Depois, até os 18 anos, o taco de beisebol foi o seu companheiro de esporte. ‘‘Ele arremessava e batia muito bem na bola’’, conta ‘seo’ Osvaldo, 50 anos, pai do atleta.
A carreira de velocista despontou quando Edson foi servir ao Tiro de Guerra, em Bandeirantes. ‘‘Um sargento viu que ele tinha força e explosão, e o chamou para participar de uma olimpíada interna. Ele ganhou a prova dos 100 metros. Em seguida venceu uma disputa regional em Jacarezinho, e aí começou a chamar a atenção de cidades como Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu e Pato Branco, com o pessoal vindo atrás dele. Primeiro optou por Pato Branco e depois ficou um ano em Foz’’, conta seo Osvaldo.
Sua ida para Presidente Prudente, interior paulista, aconteceu através do técnico Jayme Netto Junior, que já tinha boas recomendações do atleta e acompanhava de longe seus resultados. ‘‘Foi aí que me desenvolvi de vez, com todo o respaldo e tecnologia para poder competir em provas nacionais e internacionais, até chegar na primeira Olimpíada, em Atlanta’’, afirma Edson.
Apesar de ter tirado uns dias para descansar, as várias homenagens, entrevistas e compromissos têm tomado todo o tempo do atleta em Bandeirantes. Mesmo assim, quer curtir ao máximo esses dias, pois no próximo mês ele vai participar dos Jogos Abertos de São Paulo, quando defenderá a cidade de São Caetano do Sul pela equipe Funilense e também iniciará os treinamentos visando o Mundial de 2001, no Canadá.
Logo após a conquista da medalha de prata em Sydney, o velocista Claudinei Quirino fez um apelo ao presidente Fernando Henrique Cardoso, pedindo um maior apoio ao esporte e que Presidente Prudente, onde reside e treina, tivesse uma nova pista de atletismo. Até pouco tempo o Brasil não possuía uma pista em condições de ser utilizada por atletas profissionais.
Hoje, a situação ‘‘está bem melhor’’, garante Edson. ‘‘Londrina, por exemplo, tem uma das melhores pistas do Brasil, assim como Maringá, Curitiba, Rio de Janeiro, São Paulo e Manaus’’, analisa. ‘‘Agora não dá para reclamar mais não. O que se tem de fazer é incentivar o garoto desde pequeno a praticar esporte. Temos muita gente boa que precisa ser descoberta’’, acredita.
Durante a carreata da última quinta-feira, em Bandeirantes, todos gritavam ‘‘Lamparina’’, ‘‘Lamparina’’, em homenagem ao atleta. Mas de onde veio este apelido? ‘‘É uma história meio complicada’’, conta Edson. ‘‘Meu pai trabalhava com um aparelho de solda em uma oficina mecânica, e seu apelido era lampião. Eu era muito pequeno e um dia ele me levou à oficina, para começar a me ensinar a profissão. O pessoal que trabalhava lá me viu e começou a tirar sarro. ‘Lá vem o Lampião e seu filho, o Lamparina’. O apelido pegou e nunca reclamei, pois sei que todo mundo tem um carinho por mim.’’

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