Herói da classificação, goleiro prefere anonimato
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segunda-feira, 28 de março de 2005
Thiago Mossini<br> Reportagem Local 
A rotina foi a mesma, pelo menos até fim do treinamento. No primeiro treino após colocar o Londrina na semifinal do Campeonato Paranaense, defendendo dois pênaltis e convertendo um, o goleiro Vilson manteve a postura quieta, séria, tímida e longe das badalações e brincadeiras.
O goleiro foi o grande destaque da vitória nos pênaltis do Tubarão sobre o Cianorte, pelas quartas-de-final do Estadual, e virou o centro das atenções no elenco. Mas a fama repentina não o ilude. O experiente Vilson Ferreira, 32 anos, já está calejado e confessou temer ficar desempregado no segundo semestre.
''Estou preocupado. Acabou o Paranaense, acabou o ano. Não tenho mais nada previsto para a temporada. Tenho que continuar assim, o time fazer uma boa campanha, para conseguir alguma coisa'', revelou o goleiro. ''No Paranavaí fui vice-campeão (em 2003) e fiquei desempregado''.
Vilson começou a carreira no juvenil do Paraná Clube. Lá jogou dois anos como profissional e foi emprestado ao Foz do Iguaçu. Ao retornar ao Tricolor, foi dispensado pelo técnico do clube na época, Vanderlei Luxemburgo, e foi para o amadorismo. Por três anos, defendeu o Combate Barreirinha, de Curitiba, dando um título para o clube da Taça Paraná com uma cobrança de pênalti, até que em 1999 voltou ao profissionalismo no Sinop-MT.
Um dos principais problemas do goleiro foi a estatura (ele tem 1m80). ''É difícil. Não adianta alguém te indicar, falar que você é bom, porque esbarra na altura'', contou.
Apoio especial Vilson tinha um motivo especial para fechar o gol alviceleste no sábado. Durante toda a semana, a noiva Cristiane ficou em Londrina dando o apoio que, segundo ele próprio, tanto precisava. ''Ajudou muito. A gente fica longe da família e esse contato é muito bom'', confessou o goleiro, que pretende se casar ainda este ano.
Vilson foi o único jogador com 100% de aproveitamento no treino de cobranças de pênalti na véspera do jogo contra o Cianorte. Quando o árbitro apitou o fim do jogo, no sábado, logo se candidatou a ser um dos batedores. ''O professor Zezito veio me perguntar se eu bateria e disse que sim. Estava confiante'', disse o goleiro, que ensinou como bater. ''Você tem que olhar o goleiro, ele vai sair antes e aí é só pôr no canto bom que dificilmente ele cata''.
Frieza O goleiro rejeita o rótulo de ídolo e prefere o anonimato. ''Prefiro até passar despercebido. Deixa o posto de ídolo para o Nem, os caras que fazem o espetáculo''.
O que mais chama a atenção no goleiro é a frieza. Sempre sério é difícil ver Vilson nas rodas de brincadeiras , o goleiro diz que essa é a receita para se dar bem embaixo das traves. ''Tenho que passar segurança para o time. Eles não podem olhar para trás e me ver nervoso'', justificou Vilson.
O contrato do goleiro termina no fim de abril e é difícil de ser renovado, já que a Série C do Campeonato Brasileiro começa somente no fim de agosto. ''Não dá pra ficar tanto tempo parado''. A solução é arrumar um time na Série Prata e, quem sabe, retornar a Londrina na competição nacional.
SERVIÇO:
Os ingressos antecipados para Londrina x Atlético (amanhã, 20 horas, no VGD) estão sendo vendidos a R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia) até as 18 horas nos postos tradicionais e até as 20h30 no VGD. Nas bilheterias, os ingressos custam R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia). Estudantes, sócios, idosos entre 60 e 65 anos e mulheres também pagam R$ 5. As cadeiras cativas custam R$ 15. Idosos com mais de 65 anos e crianças até 12 anos não pagam.


