Herói croata, Boban sonha em fazer um gol e disputar decisão
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segunda-feira, 06 de julho de 1998
Agência Estado 
Mais que um meia inteligente e experiente, Zvonimir Boban terá um papel muito importante para a seleção da Croácia na partida contra a França, amanhã, em Saint-Denis, pela semifinal da Copa-98. Boban, considerado herói nacional, coloca à disposição de seu time um espírito nacionalista muito forte, algo fundamental para tentar passar à finalíssima.
Em maio de 1990, quando crescia o desejo separatista croata, Boban, então no Dynamo Zagreb, foi o protagonista de uma cena que marcou sua vida para sempre. Em uma partida contra o Estrela Vermelha, em Belgrado, agrediu um policial da força de segurança iugoslava, que reprimia torcedores croatas.
Por causa disso, Boban foi punido pela Federação de Futebol da Iugoslávia, ficou fora da Copa do Mundo da Itália pouco tempo depois, mas criou uma identificação muito grande com o povo croata. Fiz o que o qualquer ser humano normal faria para defender pessoas inocentes que estavam sendo agredidas, lembra Boban. Quando batem no meu povo, batem também em mim.
O herói Boban virou capitão da equipe do técnico Miroslav Blazevic, outro nacionalista eufórico, apesar de negar todo o tempo a condição. A exemplo de muitos outros companheiros de seleção, Boban empolga-se ao falar da Croácia. É maravilhoso sentir o calor de meu povo nas arquibancadas, afirma.
Além de uma vitória contra a França, Boban tem também outro sonho que pretende realizar amanhã: marcar seu primeiro gol na Copa do Mundo, um gol pela pátria, como ele define.
Bom humor - Depois de alguns aborrecimentos com os alemães, que subestimaram o poder dos croatas nas quartas-de-final, o técnico Miroslav Blazevic esbanja sorrisos e bom humor antes do confronto contra a França, amanhã, em Saint-Denis, pela semifinal da Copa do Mundo. Os franceses são os favoritos indiscutivelmente, afirma. Como os alemães também.
A brincadeira de Blazevic foi uma maneira de mostrar que ele não está mais incomodado com o que pensam ou falam alguns jornalistas sobre as chances da Croácia. Favoritismo, segundo ele, não existe mais na fase decisiva. Antes, éramos vistos como coadjuvantes, lembra. Os resultados inverteram esta situação.
Para o treinador, os franceses são tão capazes de ganhar o jogo quanto os croatas. Também não posso dizer que nosso time é mais talentoso que o da França. Com o discurso do tudo pode acontecer, Blazevic lembra que ambas as equipes têm suas fraquezas e não são imbatíveis.
O cansaço e a euforia de seus jogadores, fatores que poderiam atrapalhar o time amanhã, não são mais vistos como um problema para um treinador que está certo que pode chegar à final. Apesar de reconhecer que Zinedine Zidane está entre os cinco melhores jogadores do mundo, Blazevic garante que não vai haver marcação especial no jogador. Os croatas não temem o adversário.
Ontem, os jogadores da Croácia fizeram um treino à tarde no Estádio Jean Bouloumié, em Vittel, cidade ao leste da França. Blazevic não faz mistérios e, apesar de reconhecer algumas falhas, anuncia que não vai fazer mudanças na equipe. O ambiente entre os jogadores é de otimismo e alegria, a exemplo do que acontece com os torcedores na França e na capital Zagreb. Aliás, a união é um dos pontos fortes da equipe, segundo o zagueiro Slaven Bilic, que atua no Everton, da Inglaterra. Estamos há 50 dias juntos e não houve nenhum probleminha, nenhuma discordância entre os jogadores, garante. Somos uma verdadeira família.France PresseCapitão croataZvonimir Boban faz exercícios em Vittel, onde a delegação está concentrada para a semifinal de amanhã contra a França: Sonho com um gol pela minha pátriaJogador que desafiou polícia iugoslava diz que espírito nacionalista será fundamental para vencer a França


