São Paulo - Michael Schumacher escreveu hoje mais um capítulo na história da F-1. Mais que isso. O segundo lugar no GP da Bélgica bastou para que ele conquistasse o sétimo Mundial e estabelecesse um novo parâmetro para a categoria. E o mítico título aconteceu de uma maneira quase mágica.
Na corrida de número 700 da Ferrari. No mesmo circuito de Spa-Francorchamps, onde há exatos 13 anos e 4 dias o alemão fazia sua estréia na categoria. Na mesma Bélgica onde ele conseguiu sua primeira vitória na F-1, triunfo que completa 12 anos hoje. Na mesma pista em que ele já havia vencido seis vezes.
‘‘Cada título que conquistei me proporcionou uma emoção diferente. Este foi muito especial porque foi aqui em Spa, que significa muito para mim’’, declarou, referindo-se ao circuito que fica a pouco mais de 100 km de sua cidade natal, Hürth-Hermülheim.
E de fato este campeonato foi especial. Nunca nos 54 anos de história da F-1 um piloto dominou de forma tão acachapante o Mundial. Schumacher venceu 12 das 14 provas da temporada. Subiu no pódio em 13 – apenas em Mônaco, quando bateu e teve que abandonar a corrida, ele falhou.
Com o título conquistado ontem, o alemão, 35, tornou-se o único piloto a vencer cinco campeonatos consecutivos – apenas o argentino Juan Manuel Fangio conquistou cinco Mundiais, mas não de maneira ininterrupta.
E a conquista também veio coroar o homem que detém os números mais impressionantes da F-1. Schumacher é o recordista de vitórias: tem 82, exatamente o dobro dos triunfos de outro mito do automobilismo, Ayrton Senna.
O alemão também é o piloto que mais fez voltas rápidas na categoria (65, contra 41 do francês Alain Prost), que mais vezes subiu no pódio (135, 29 a mais que Prost), que mais vezes largou na primeira fila (102 contra 87 de Senna) e que mais corridas liderou (124, 38 a mais que Senna).
Para completar o cenário épico, a corrida de ontem fez jus aos grandiosos números do alemão.
Foi a melhor prova desta temporada. Teve ultrapassagens, acidentes, o safety car por três vezes na pista e apenas onze pilotos conseguiram chegar ao fim.
Não por coincidência, num campeonato marcado por GPs entediantes, o de ontem começou bem diferente dos outros 13.
O vencedor da prova foi o finlandês Kimmi Raikkonen, que conquistou a primeira vitória para a Mclaren na temporada. Nas 14 provas do ano, a Ferrari venceu 12. Em Mônaco, Jarno Trulli venceu com a Renault.
Em corrida confusa, com muitas entradas do safety car, Schumacher não conseguiu consolidar a liderança em nenhum momento. Após a última relargada, Raikkonen conseguiu imprimir um ritmo forte de corrida e cruzou a linha de chegada com apenas três segundos de vantagem sobre o alemão.
Felipe Massa também teve boa participação. O brasileiro da Sauber chegou na quarta colocação, seu melhor resultado no ano. Ricardo Zonta e Antônio Pizzonia também chegaram a andar entre os quatro primeiros colocados da corrida, mas abandonaram.
O finlandês Kimi Raikkonen também comemorou seu desempenho ontem: ‘‘A sensação é ótima para mim e para toda a equipe. Tivemos uma temporada difícil. Eu espero que a gente possa manter um bom nível nas provas que faltam em 2004 para poder disputar o título na próxima temporada.’’
O próximo GP de F-1 será dia 12 de setembro, em Monza, na Itália.

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