São Paulo, 11 (AE) - Quando o Brasil enfrentar a Bolívia na terceira rodada do Campeonato Sul-Americano Masculino de Basquete, quinta-feira, em Bahía Blanca, na Argentina, o técnico Hélio Rubens Garcia estará completando cem jogos com a seleção brasileira. Além de comemorar a marca, aos 58 anos, o treinador vive uma das melhores fases da carreira. Recebeu, novamente, uma proposta para dirigir o argentino Boca Juniors, desta vez "financeiramente muito boa", em dólar, quase irrecusável. Durante o Sul-Americano, o técnico vai conversar com os dirigentes do clube antes de definir o futuro.
Hélio Rubens já havia recusado convite do próprio Boca e outro do futebol do Corinthians. Enquanto isso, venceu o Campeonato Nacional com o Marathon/Franca contra todos os prognósticos de favoritismo do Vasco.
"É um orgulho muito grande e um estímulo para tentar levar a seleção até a disputa do título Sul-Americano." "Sem entrar em detalhes de resultados, devo dizer que me sinto muito orgulhoso de representar oficialmente o Brasil em cem jogos", ressaltou o treinador. "É um privilégio para poucos e, por isso
fica a sensação de que você está entre aqueles que têm uma missão a cumprir." O recorde de participações na seleção é do técnico Ary Vidal, com 362 jogos - 301 vitórias e 61 derrotas -, incluindo as seleções adulta, juvenil, de novos e universitária masculina e a seleção adulta feminina.
Ary assumiu o cargo de diretor-geral do grupo Salgado de Oliveira, que vai trabalhar com times de basquete em Uberlândia (comandado por Carioquinha) e Goiânia (dirigido por Carlão), além do vôlei da Olympikus.
DIFERENÇAS - Nos cem jogos pela seleção Hélio Rubens enfrentou dois períodos bem distintos. O primeiro, em 1989 e 1990, com a geração de Oscar e Marcel. O técnico foi campeão sul-americano, quarto colocado nos Jogos da Amizade e quinto no Mundial da Argentina, posições bem honrosas. Em 1997, após a saída atribulada de Ary Vidal, Hélio voltou ao comando do time, mas no comando de uma geração menos talentosa, que paga o preço da falta de renovação.
"Não pode haver comparação entre uma seleção que estava pronta para produzir resultados e outra, que começa agora um trabalho de longo prazo, visando a obter resultados em cinco anos", frisou Hélio. Apesar disso, o técnico disse que se sente animado pelo desafio do projeto Atenas-2004, de aumentar o número de jogadores selecionáveis com vistas à Olimpíada da Grécia.
"Fica a gratificação de o trabalho estar sendo executado com a integração das comissões técnicas das seleções adulta, de novatos e juvenil", afirmou. "Temos a garantia da Confederação Brasileira de Basquete de que esse trabalho vai continuar, independentemente de resultados." Do grupo que vai ao Sul-Americano, Hélio Rubens quer dedicação máxima e baseou seu trabalho em três palavras: "Nós vamos conseguir." O torneio vai selecionar quatro equipes para o Pré-Olímpico de San Juan, de 14 a 20 de julho, e três para os Jogos Pan-Americanos de Winnipeg, a partir do dia 22 de julho.
A seleção viaja amanhã para Bahía Blanca, sem o lateral Brenno, cortado do grupo de 13 jogadores que treinava no Rio. Mas Brenno, uma das revelações do Pinheiros, continua na seleção de novatos e vai disputar torneios amistosos em Angola e no México.
A seleção - que terá Marcelinho, Rato, Caio, Vanderlei, Sandro, Demétrius, Helinho, Márcio, Josuel, Luiz Fernando, Aylton e Michel - vai estrear no Sul-Americano na segunda-feira, contra o Chile. Na terça-feira, enfrentará o Paraguai e terá folga na quarta. Na quinta-feira, é a vez de enfrentar a Bolívia. O Uruguai, atual campeão sul-americano, será o adversário da sexta-feira. Os dois primeiros de cada grupo disputarão a semifinal no dia 19. A final está marcada para o dia 20.

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