Héber defende profissionalização da arbitragem
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domingo, 19 de dezembro de 2010
Thiago Mossini<BR> Reportagem Local 
Se teve um assunto que deu o que falar em 2010 foi a arbitragem. Os erros foram escandalosos tanto nas competições nacionais como na Copa do Mundo da África do Sul. A solução, para especialistas, seria a profissionalização dos árbitros. Um dos principaios apitadores brasileiros, o londrinense Héber Roberto Lopes defende a teoria.
Postulante à indicação de ser o árbitro do País na próxima Copa do Mundo, que será disputada em 2014 no Brasil, ele acredita que com a regularização da profissão de árbitro, seria possível aumentar a dedicação deles e, consequentemente, os erros poderiam diminuir.
''Você apita um dia no Nordeste, dois dias depois vai apitar em Porto Alegre e depois em São Paulo. Pronto, você passou praticamente a semana inteira fora. Não tem como se dedicar ao seu trabalho'', disse Lopes.
Entretanto, ele vê muitas barreiras para que o assunto seja levado adiante. ''Vou ficar de bengala e não vai acontecer. Torço, mas é difícil, pois esbarra nas leis de cada país. Os mesmos direitos que tem o árbitro internacional, terá aquele árbitro amador, que apita nos clubes. Quem vai pagar por isso? É mais fácil a Fifa dar subsídios para o seu quadro e, obviamente, exigir mais'', analisou.
Lopes concorda que o ano foi polêmico para a categoria. ''A arbitragem passa por momentos difíceis, são muitas cobranças. Acredito que isso faz parte, mas ganharam maior proporção os que envolviam equipes que disputavam o título. Eu fiz um dos jogos decisivos, aquele Fluminense x Grêmio e a reclamação foi acertada'', disse, referindo-se a um suposto pênalti que deixou de marcar em favor do time gaúcho.
Mesmo com os problemas, ele acredita que é necessária a renovação que a Comissão de Arbitragem da CBF vem promovendo.''Não acredito que os erros são por causa da renovação na arbitragem. Não era comum os dirigentes bombardearem de críticas como este ano. Mas eles estão no direito deles, apesar de alguns falarem coisas absurdas. Tirando isso, acredito que a renovação é essencial, até porque temos grandes árbitros jubilando, como o (Carlos Eugênio) Simon e o (Leonardo) Gaciba'', apontou. ''Da mesma forma que saíram alguns, surgiram grandes árbitros, como o Sandro Meira Ricci'', completou.
Avaliando seu desempenho pessoal, o árbitro acredita que tem o que comemorar, apesar de não ter sido indicado à final do prêmio de melhor apitador do Brasileirão. Em 2009 ele havia sido o escolhido. ''Foi um ano bom. Apitei uma semifinal da Copa Sul-Americana. A Fifa avalia a atuação em jogos internacionais, como Eliminatórias, Libertadores e Sul-Americana. Na Libertadores, para os árbitros nacionais, quase não dá para trabalhar ultimamente, porque são muitos times brasileiros chegando nas fases decisivas'', apontou. ''No Brasileiro, fui regular. Estive presente em grandes jogos, assim como na Copa do Brasil''.
Copa de 2014
A partir de janeiro Heber Roberto Lopes começa o trabalho para ver seu grande sonho concretizado, o de trabalhar em uma Copa do Mundo. No mês que vem, ele, o gaúcho Leandro Vuaden e o paulista Paulo César de Oliveira, que são os três pré-selecionados para 2014, começam um trabalho elaborado pela Fifa especificamente de preparação para o Mundial e para a Olimpíada de Londres.
Vão ser 54 semanas de treinamento, sob instrução do ex-árbitro Dionízio Roberto Domingos. Do Brasil, serão somente os três. Da América do Sul são 15 ao todo. O trabalho será físico, técnico e de posicionamento, além, de aprimoramento no inglês e no espanhol. ''No espanhol me viro bem, agora no inglês... Tenho que ir para a sala de aula, senão fico para trás'', finalizou.


