Agência Estado
Do Rio de Janeiro
O presidente de honra da Fifa, João Havelange, assegurou ontem que o Brasil já tem seis votos certos em sua campanha para ser a sede do Mundial de 2006. Na avaliação dele, os três membros da Confederação de Futebol das Américas do Norte e Central (Concacaf) vão juntar-se aos três integrantes do Comitê Executivo da Fifa na América do Sul para dar apoio ao País. Havelange disse acreditar ainda que o Brasil receberá três votos dos quatro a que tem direito o continente asiático na eleição de julho de 2000, em Zurique, na Suíça.
A princípio, votam 23 membros da Fifa; o 24º voto caberia ao presidente da entidade, Joseph Blatter, mas é facultativo. Os oito representantes da Europa no comitê devem dividir seus votos entre Inglaterra e Alemanha. A eleição, no entanto, só é definida após a realização de um segundo turno, o que torna provável a união dos oito europeus em torno do país do continente que supostamente deve ser escolhido para a disputa final. ‘‘O voto da Oceania é da Europa também’’, previu Havelange.
África do Sul e Marrocos, os outros inscritos para tentar organizar o Mundial, vão brigar inicialmente pelos quatro votos destinados à África. Para Havelange, o Brasil pode obter sucesso em sua campanha se investir nos votos africanos. ‘‘Acho que a decisão mesmo vai sair desse grupo’’, continuou Havelange, certo de que o Brasil vai para o segundo turno com Alemanha ou Inglaterra. Ele admitiu que poderá viajar com o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, em prol da candidatura brasileira.
Teixeira e o presidente do Comitê Organizador do Mundial no Brasil, o ex-jogador Zico, estiveram ontem no escritório de Havelange, no centro do Rio, para entregar a ele uma cópia do caderno de encargos que foi levado para a sede da Fifa, na Suíça, na semana passada. No encontro, Havelange disse que sempre defendeu um rodízio entre os continentes para a realização dos mundiais. ‘‘A rotatividade, se fosse seguida, confirmaria o Mundial de 2006 na África’’, comentou. ‘‘Mas como houve mudanças no critério, o Brasil tem condições de brigar pelo seu objetivo.’’ Havelange destacou que o Brasil lidera o ranking da Fifa desde 1993 e que o último Mundial no País vai fazer meio século. Para ele, o Mundial de Clubes, em janeiro, no Rio e em São Paulo, vai ser um teste importante para a candidatura do Brasil.
Ex-genro de Havelange, Teixeira reiterou que algumas visitas vão ser feitas aos integrantes do comitê da Fifa a partir de setembro e adiantou que a entidade vai promover pelo menos uma vistoria no Brasil ainda este ano. Ele lembrou que os membros do comitê estão impedidos de receber presentes no valor acima de US$ 100. Para Teixeira, há duas fases até a votação: a técnica e a política. A primeira diz respeito ao caderno de encargos - ‘‘tem de estar de acordo com as exigências da Fifa’’ - e às vistorias. A outra refere-se aos contatos políticos para cabalar votos.

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