Já na primeira resposta ao relator da CPI da Nike, Silvio Torres (PSDB-SP), o ex-presidente da Fifa, João Havelange, liquidou qualquer possibilidade de dar informações sobre o contrato da Nike com a CBF. ‘‘Nunca vi o contrato, nunca li’’, afirmou Havelange, acrescentando ainda que, se tivesse de analisar todos os contratos de seus quase 200 afiliados, não trabalharia. Mesmo alegando desconhecer o documento, Havelange disse que os deputados deveriam aplaudir o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, por ter conseguido fechar contrato de alto valor com a Nike.
O relator Torres reclamou: ‘‘Se ele não leu o contrato, não tinha motivo para estar aqui.’’ Ele avaliou que o depoimento de Havelange ‘‘não acrescentou absolutamente nada’’ para efeito do relatório. E ficou surpreso pelo fato de o ex-presidente da Fifa desmentir ter dado entrevista a um jornal paulista comentando o contrato, publicação lida pelo relator.
A sessão da CPI da Nike foi praticamente dominada pelos deputados ligados a clubes que estavam ali apenas para render homenagens a Havelange e os do PT que queriam esclarecimentos sobre denúncias publicadas na mídia envolvendo Havelange com ditaduras militares, tráfico de armas e até venda de granadas. O presidente da CPI da Nike, Aldo Rebelo (PCdoB-SP) acredita que se possa aproveitar pelo menos um trecho do depoimento de Havelange, quando ele fala do procedimento adotado pela Fifa para contratos, como o assinado com a Coca-Cola. Ele explicou que há uma espécie de licitação e o contrato passa pela análise de diversos órgãos deliberativos. Para Rebelo, o mesmo não parece ter ocorrido com a CBF e a Nike.

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