Havelange e Zico vão comandar comitê de candidatura
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segunda-feira, 07 de junho de 1999
Por Felipe Werneck 
Rio, 08 (AE) - Depois da polêmica criada no mês passado pelas declarações de Pelé sobre a possibilidade de o Brasil sediar a Copa do Mundo de 2006, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, anunciou hoje que o ex-presidente da Fifa João Havelange e o ex-jogador Zico serão os responsáveis pelo comitê de campanha pela candidatura ao Mundial. O País terá até março, quando ocorre a reunião do comitê-executivo da Fifa, para disputar a vaga com Alemanha, Inglaterra e áfrica do Sul, principais candidatos.
Teixeira admitiu que será uma "empreitada difícil", mas disse que já "provou a capacidade" da CBF ao trazer para o País o 1º Mundial de Clubes Campeões da Fifa, que será disputado em janeiro. "Zico será nosso (Michel) Platini nesse trabalho", afirmou, referindo-se ao responsável pelos preparativos da Copa da França, em 1998.
O ex-jogador recusou o rótulo e disse que o campeonato mundial de clubes vai funcionar como um "vestibular" para a Copa. O presidente da CBF afirmou que Havelange terá uma "missão política": "Com os contatos que possui, ele vai dar suporte para a candidatura do Brasil mundo afora."
O convite de hoje parece selar o fim de um período de desentendimentos entre os dois, causado pela separação de Teixeira da filha de Havelange, Lúcia. No início do ano, Havelange faltou a uma festa em homenagem a ele promovida por Teixeira no Copacabana Palace.
O ex-presidente da Fifa mostrou dados que, acredita, poderão influenciar na decisão da entidade. Segundo ele, das 16 competições organizadas pela Fifa, a de 1950, realizada no Brasil, foi a que obteve a segunda maior média de público (60 mil pessoas). A Copa de 94, realizada nos EUA, teria sido a primeira colocada, com média de 68 mil pessoas por jogo.
"Esse desejo não é somente da CBF, mas do povo em geral e das autoridades do País", disse Havelange. Ele elogiou o projeto do governo do Rio de reforma do Maracanã, orçado em R$ 60 milhões, e disse que o Mundial de Clubes vai funcionar como um "cartão de visitas". Segundo ele, a receptividade para a candidatura do País é "excelente".
"Se o critério for votação única, o Brasil tem todas as chances, mas a rotatividade tem de ser levada em conta, e, nesse caso, um país da áfrica seria o escolhido."
PELÉ - O presidente da CBF rebateu as críticas feitas por Pelé ao projeto de trazer a Copa do Mundo pela segunda vez para o Brasil. O ex-jogador afirmara que, hoje, o Brasil não tem projeto, estrutura, "nem sequer um estádio em condições de receber partidas válidas pelo Mundial".
"Não me preocupo por várias razões: ele foi contra a reeleição de Havelange em 94 e o presidente ganhou; foi contra a eleição de Joseph Blatter em 98 e ele ganhou; disse, nas eliminatórias da Copa de 94, que o Uruguai tinha mais chances e ganhou o Brasil; e também disse que o campeão da Copa de 94 não seria o Brasil", declarou Teixeira.
"Pelé foi o melhor jogador que já vi jogar, mas o Edson (Arantes do Nascimento) tem umas declarações bastante conturbadas e estapafúrdias; e comparo essa com aquela de anos atrás, quando ele disse que o brasileiro não sabia votar."
Zico disse que ainda não sabe sua função no projeto, e que vai reunir-se na semana que vem com Teixeira para detalhar o trabalho "árduo e difícil" que tem pela frente. "Platini foi muito importante para a Copa de 98, mas a França é diferente do Brasil", disse, ao comentar a expressão do presidente da CBF. Ele disse que poderá procurar Pelé para pedir seu apoio à candidatura do País.
"As duas pessoas (Zico e Havelange) têm credibilidade, até porque Zico, enquanto foi ministro, nunca teve uma empresa que se beneficiava do futebol", afirmou Teixeira, insinuando suposta irregularidade durante a gestão de Pelé frente ao ministério dos Esportes. "Nenhum País que realizou uma Copa teve prejuízo, e aqui não seria diferente."


