Havelange deixa presidência de honra da Fifa
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 30 de abril de 2013
Agência Estado 
Zurique - João Havelange renunciou ao cargo de presidente de honra da Fifa, que ocupava desde 1998. O anúncio oficial foi divulgado pela entidade ontem, mas o brasileiro já havia deixado o posto há duas semanas. Acusado de corrupção, o dirigente de 96 anos sai de cena antes de sofrer possíveis punições.
O presidente do Comitê de Ética da Fifa, Hans-Joachim Eckert, anunciou nesta terça-feira, por meio de um comunicado, que Havelange deixou seu cargo em 18 de abril. A renúncia oficial do cartola brasileiro ocorre no mesmo dia em que o órgão publicou o relatório sobre o caso de corrupção envolvendo a ISL, extinta empresa que foi parceira de marketing da entidade.
Com a renúncia, Havelange se livra de receber qualquer punição por seu envolvimento no escândalo da ISL, que declarou falência em 2001. Após suspeitas de corrupção levantadas há mais de uma década, o caso voltou a ser investigado pela Fifa quando a rede britânica BBC publicou uma reportagem, no ano passado, denunciando que a extinta empresa de marketing teria subornado membros da entidade para ganhar os direitos de transmissão da Copa do Mundo.
O relatório do Comitê de Ética da Fifa sobre o caso, divulgado nesta terça-feira, comprova que Havelange, o também brasileiro Ricardo Teixeira e o paraguaio Nicolas Leoz receberam propina da ISL entre 1992 e 2000, por conta da negociação da venda de direitos de transmissão para a Copa de 2002 e de 2006 - os valores não foram divulgados, mas ultrapassariam os R$ 45 milhões.
Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF e ex-genro de Havelange, e Nicolas Leoz, ex-presidente da Conmebol, eram poderosos membros do Comitê Executivo da Fifa, mas já deixaram seus cargos na entidade, também evitando qualquer risco de punição.
Acusado de envolvimento no caso, o suíço Joseph Blatter, atual presidente da entidade, foi inocentado. Ele foi o sucessor de Havelange, depois de o cartola brasileiro ter comandado a entidade entre 1974 a 1998.
No relatório apresentado nesta terça-feira, Hans-Joachim Eckert escreveu que Havelange e Ricardo Teixeira agiram com uma "conduta moralmente e eticamente reprovável", mas enfatizou que aceitar propina não era considerado um crime na Suíça na época do ocorrido. Ao mesmo tempo, o juiz alemão pontuou: "Entretanto, é claro que Havelange e Teixeira, como dirigentes de futebol, não deveriam ter aceitado qualquer dinheiro de suborno, e deveriam ter de devolvê-lo desde que o dinheiro estivesse em conexão com a exploração de direitos de mídia".
Pelo fato de Havelange ter renunciado, Eckert disse em seu relatório que qualquer medida ou sugestão de punição a ser tomada contra o brasileiro teria caráter "supérfluo", e o mesmo acaba valendo para Ricardo Teixeira e Leoz.
Agora oficialmente fora da Fifa, Havelange já havia renunciado, em dezembro de 2011, ao seu cargo de membro do Comitê Olímpico Internacional (COI), o qual ocupou por 48 anos. Na época, ele também alegou problemas de saúde para a renúncia, mas a decisão teve claro caráter político, pois ocorreu dias antes da entidade definir se iria puni-lo por causa das denúncias de corrupção no caso da ISL.


