Havelange defende virada de mesa e inchaço
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quarta-feira, 09 de agosto de 2000
Agência Estado De São Paulo 
Havia de tudo na abertura da feira Futebol S.A Global Congress & Exibition, que começou ontem em São Paulo. De um lado, empresários clamando contra o que chamaram de dilapidação da Lei Pelé, defendendo a modernidade na administração do futebol e com um discurso inflamado, em prol de todo o tipo de investimento, até mesmo os exagerados, nos clubes.
De outro, permaneciam os dirigentes tradicionais, encabeçados pelo presidente de honra da Fifa, que comandou a instituição entre 1974 e 1998, João Havelange. Ele defendeu com veemência a Copa que leva o seu nome em substituição ao Campeonato Brasileiro, o grande número de participantes desta competição e até mesmo a volta do Fluminense à chamada elite do futebol sem ter conquistado este direito nas divisões de acesso.
Rodeado por dirigentes esportivos que já vociferaram contra a fórmula da Copa João Havelange, entre eles o presidente da Federação Paulista de Futebol, Eduardo José Farah, Havelange não só defendeu a volta do Fluminense como fez questão de ressaltar que o clube carioca nunca deveria ter caído.
Seu argumento era de que, desde sua época como presidente da extinta CBD, nos idos dos anos 60, os chamados grandes clubes do Rio e de São Paulo garantiram o direito adquirido de permanecer nas divisões principais do recém implementado Torneio Rio-São Paulo, que se transformou em Torneio Roberto Gomes Pedrosa, dando origem, em 1971, ao Campeonato Brasileiro. Por este motivo, se eu presidisse o Fluminense, ele nem teria caído de divisão, disse Havelange.
Enquanto alguns empresários, como J. Hawilla, da Traffic, repudiavam o atual modelo da Copa Havelange, argumentando que os investidores estão se inibindo em ingressar no futebol por causa da desorganização, o ex-presidente da Fifa defendeu o grande número de participantes em função das dimensões territoriais do Brasil. O País tem o tamanho de um continente, não é como os países europeus.
Na sua opinião, a Copa João Havelange tem tudo para ser bem sucedida pela qualidade de seus participantes. Além de Havelange, estiveram presentes o ministro do Esporte e Turismo, Carlos Melles, além de outros políticos e presidentes de clubes.
Um dos pontos analisados no evento, que teve investimentos de US$ 2 milhões e é considerado o I Congresso Brasileiro de Negócios de Futebol, foi a grande cifra que hoje movimenta o futebol no mundo. Segundo dados da Fifa, o chamado esporte das multidões girou, no ano passado, cerca de US$ 250 bilhões. O Brasil ocupa apenas 0,7% desta fatia, com R$ 2 bilhões movimentados no período.
O empresário J. Hawilla criticou a proibição de uma mesma empresa deter o controle do departamento de futebol de mais de um clube. Os investidores internacionais ficaram com receio e desistiram de ingressar nos clubes.


