Havelange chora na saída e é aclamado presidente de honra
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segunda-feira, 08 de junho de 1998
Agência Folha 
Posso sair pela porta da frente?, perguntou vingativamente João Havelange a um delegado africano, momentos antes de encerrar sua era à frente da Fifa. O brasileiro deixou a cena atacando, como sempre foi sua característica. Antes da eleição, Havelange tinha sido desafiado pelo africano a respeitar os estatutos, para que o sr. saia da Fifa como entrou, pela porta da frente.
Havelange não retrucou na hora. Conseguiu impor sua interpretação quanto ao sistema de votação, realizou a eleição e viu seu candidato obter uma vitória arrasadora. A pergunta soou como um desafio ao plenário, que respondeu com aplausos.
O africano ainda teve tempo de chamar de patética a observação, antes de cumprimentá-lo com três beijos no rosto.
Quando pôs fim ao reinado, Havelange chorou e foi cercado por uma multidão de amigos, admiradores, bajuladores e jornalistas. O papel de Havelange na gestão Blatter é uma incógnita.
Segundo Blatter, o brasileiro não gostou de mudanças que podem ser introduzidas na Fifa, como a delegação de poderes a um conselho de seis membros, que administrará o futebol.
Havelange foi indicado ontem por aclamação presidente de honra da Fifa, um título vitalício, cujas eventuais atribuições ainda deverão ser decididas por Blatter. Eu digo adeus, me retiro e deixo o trabalho para a pessoa que agora tem a responsabilidade de exercer a presidência. Blatter será um grande presidente, declarou Havelange.


