Um time imbatível. É o sonho de qualquer jogador ou comissão técnica. E o Norte do Paraná teve uma equipe assim, que, em uma longa e vitoriosa temporada, foi o bicho-papão de títulos estaduais e o melhor time do Brasil de 1984 a 92. Esse foi o famoso time de handebol feminino da Incolustre, sediado em Cambé, e que também enchia de orgulho seus vizinhos londrinenses.
''A cidade vivia o handebol. Tínhamos o apoio da comunidade e do poder público e todo mundo prestigiava os jogos. O ginásio de Cambé, o João de Deus, lotava em todas as partidas'', lembra o técnico Elói Zamberlan, que dirigiu o time nessa fase vitoriosa e chegou à seleção brasileira em 1991 justamente pelo bom trabalho no comando do grupo. ''De 84 a 92 ganhamos todos os campeonatos paranaenses, sete títulos nacionais e dois sul-americanos'', recorda Zamberlan, que atualmente treina a equipe de handebol feminino de Londrina.
Durante esse período, duas jogadoras ganharam destaque pela técnica apurada. As armadoras Eliane Alvin, já falecida, e Soraia Novaes infernizavam o time adversário. ''Naquela época o estilo de jogo era diferente, direcionado mais para a condição física dos atletas. Hoje o jogo é mais técnico, mas a nossa equipe ganhava tudo justamente porque nosso time sempre foi mais técnico do que os outros'', lembra Soraia, que hoje é professora de Educação Física do Colégio Marista e, aos 41 anos, continua atuando como armadora do time de handebol feminino de Londrina.
Mas uma equipe vitoriosa geralmente não dura para sempre no esporte e o ciclo acabou no início da década de 90, mais precisamente em 1992. ''A prefeitura começou a dar prioridade para outros esportes e essa fase acabou'', explicou Zamberlan. Entretanto, a boa participação do norte paranaense no handebol incentivou a continuidade do trabalho de base em Cambé, que mantém atletas em formação sob a orientação de Elza Giovanelli, e também espalhou profissionais responsáveis pela fomentação do esporte em Londrina.
E foi além: acabou até rendendo frutos para outra modalidade. A atual técnica do futsal feminino do Grêmio Londrinense, Vanda Sanches, começou sua carreira exatamente no mesmo time em que atuaram Zamberlan e Soraia. ''Eu era auxiliar-técnica do Elói e, em 93, comecei a me dedicar tanto ao futsal como o handebol. Já me sentia realizada com o handebol e decidi partir para outro projeto'', disse Vanda.

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