Handebol feminino joga por medalha de ouro e vaga na Olimpíada
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sexta-feira, 20 de julho de 2007
Agência Estado 
Rio - Só falta um passo para as meninas da seleção brasileira de handebol conquistarem o tricampeonato nos Jogos Pan-Americanos e garantirem a vaga para as Olimpíadas - o campeão no Rio/07 se garante em Pequim/08. Hoje, diante de Cuba, as brasileiras querem mostrar o porquê de estarem entre as dez potências mundiais da modalidade. O jogo será às 10h30.
Do outro lado da quadra, a seleção brasileira enfrentará novamente as adversárias mais duras da competição: as cubanas. E para passar pelas grandalhonas, o Brasil tem como uma das principais armas a pequenina Aline Rosas, a Pará. A jogadora, de 1,59m e 28 anos, é a vice artilheira da equipe no Pan, com 18 gols. Ela integrou o time que conquistou o ouro em Santo Domingo/03 e disputou a Olimpíada de Atenas/04.
No terceiro jogo da competição, quando o Brasil ganhou por 32 a 29, as cubanas deixaram hematomas em várias atletas brasileiras. ''Mas não tem essa de vingança, não. Elas querem ganhar, assim como nós também queremos. É outro jogo, outra história'', diz Pará.
A armadora esquerda nasceu em João Pessoa, na Paraíba, e encontrou no handebol uma forma de continuar estudando. ''Minha irmã jogava na escola e passou a bolsa de estudos para mim. Só que para isso eu tinha de jogar handebol, aos 11 anos. Eu não gostava, fugia das aulas, mas não tinha jeito. Um dia me pegaram e disseram que eu tinha de treinar. Quando peguei a bola e fiz meu primeiro gol, eu tive a certeza de que era aquilo que eu queria para a vida toda'', lembra o ''chaveirinho'' do grupo.
Aos 15 anos, ela teve de tomar uma decisão: deixou a Paraíba e se mudou para São Paulo. ''Fui para Mirassol (interior de São Paulo), onde eu dividia uma república com 15 meninas'', lembra. ''O mais complicado foi ter de deixar minha mãe lá na Paraíba. Meu pai faleceu quando eu tinha quatro anos e eu dependia exclusivamente dela. Me vi sozinha com 14 meninas que eu nem conhecia. Mas era o que eu queria, era meu sonho. Não há glória sem sacrifício.''
Foi em Mirassol que ela ganhou o apelido de Pará. ''O time tinha três Alines, e me chamavam de Paraíba, Parazinha, Pará. Ainda tinha a Pateta (que também integra a seleção) e a Chicória'', conta.
Ao contrário do que parece, Pará se aproveita das vantagens de ser pequenina contra adversárias fisicamente mais fortes, como as cubanas, por exemplo. ''A desvantagem de ser pequena é que fica mais difícil arremessar de longe por causa do bloqueio da defesa. Mas a vantagem é que sou mais rápida e deixo as grandonas para trás. Eu acho maravilhoso para jogar contra Cuba e contra times da Europa'', analisa.


