O técnico da seleção brasileira feminina adulta de handebol, o espanhol Juan Oliver Coronado, 50 anos, está em Londrina participando do curso de pós-graduação em handebol, organizado pela Unifil. Ele está ministrando a disciplina de Fundamentos Táticos do Handebol Feminino, onde aborda a estrutura do esporte e sua experiência de mais de 30 anos na modalidade. Além dele, participam do curso o médico da seleção, Jacobo Antun Vasques, que ministra a disciplina de Fisiologia do Handebol e a psicóloga Patricia Sosa, esposa de Coronado, que aborda os aspectos Psicológicos do Handebol.
Coronado conversou ontem com a reportagem da Folha, quando falou sobre o crescimento do handebol feminino brasileiro nos últimos anos. Um exemplo disso é o sétimo lugar obtido pela seleção brasileira no Mundial da Rússia, no ano passado. ''Saímos de um 21º lugar no Mundial anterior. O mais importante é que vencemos cinco jogos contra seleções européias. O Brasil nunca tinha vencido seleções européias em competições oficiais'', ressaltou o técnico, que também é diretor da Escola de Treinadores da Espanha, um dos principais centros de handebol do mundo.
O trabalho de Coronado com a seleção brasileira começou em 1999, depois que ele foi a Curitiba participar de um curso no Paraná Clube. No mesmo ano, o espanhol participou de outro curso, em Aracaju, quando conheceu o presidente da Confederação Brasileira, Manoel Luiz Oliveira, e foi convidado a colaborar com as seleções. A partir de 2001, o espanhol se tornou consultor técnico da Confederação. Em 2003, quando a seleção masculina conquistou o título do Pan-Americano de Santo Domingo, Coronado atuou juntamente com Alberto Rigolo no comando técnico. Na Olimpíada de Atenas, foi consultor-técnico das seleções masculina e feminina.
Coronado assumiu o comando técnico da seleção brasileira feminina em maio de 2005. ''Quando comecei a trabalhar percebi que precisava melhorar a parte defensiva e de organização da seleção. Porém, sempre passei às atletas a importância de jogar com o estilo brasileiro, com muita alegria, e acredito que vem dando certo'', comentou.
O técnico esclareceu que o crescimento do handebol feminino está ligado a fatores como o aumento no número de atletas atuando na Europa. Segundo ele, existem, ao menos, 20 atletas no continente europeu, sendo que nove disputam a Copa dos Campeões, a principal competição de clubes do mundo. ''Outras 20 jovens atletas disputam a Liga Nacional. Além disso, estamos disputando amistosos com as principais seleções do mundo'', explicou.
Pan O próximo objetivo da seleção brasileira é conquistar o título do Pan-Americano de 2007, no Rio de Janeiro. ''O campeão garante vaga na Olimpíada. Provavelmente, a final será contra a Argentina e temos que vencer'', declarou. Ainda no próximo ano, em dezembro, as meninas disputam o Mundial da França. ''Queremos ficar entre os 12 primeiros'', acrescentou. ''Já nos Jogos Olímpicos, o objetivo é chegar nos cruzamentos para depois brigar por um medalha.''
O contrato de trabalho de Coronado com a Confederação Brasileira se estende até a Olimpíada de Pequim. Mas ele pretende continuar. ''Gostaria de ficar mais um ciclo olímpico. Depois disso, acho que será o tempo certo para passar o comando aos técnicos brasileiros'', concluiu.

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