A Seleção Brasileira de Handebol Feminino disputará pela primeira vez uma Olimpíada, na Austrália, em setembro, tentando ser ‘‘a surpresa’’, segundo seu técnico, o sergipano Digenal Cerqueira, 45 anos, há três anos e meio radicado em Medianeira, no Oeste do Paraná, onde é diretor municipal de Esportes e forma jogadores da modalidade.
A seleção está treinando desde quinta-feira em Assis Chateaubriand (na mesma região). Lá, entre os dias 18 e 20 deste mês, disputará um torneio internacional com as seleções da Argentina, Paraguai e do Paraná, seguindo depois para Pato Branco (Sudoeste) para encerrar os preparativos – a viagem para a Austrália será em 3 de setembro.
A escolha de cidades do interior para os treinamentos deve-se principalmente ao entendimento de Digenal Cerqueira de que, nelas, há ‘‘a natural tranquilidade e a população é sempre muito carinhosa com as seleções’’. O treinador aponta outro motivo: ‘‘Não há muitos atrativos, como shoppings e outras coisas, que possam desviar a atenção das atletas dos treinamentos’’.
Cerqueira acrescenta que, para treinar sua equipe, não precisa ‘‘de muita frescura ou salto alto’’. O essencial, segundo ele, é dispor de bom alojamento, refeições balanceadas e ginásio de esportes e uma academia em condições adequadas. ‘‘E isso temos aqui.’’
No ano passado, a seleção esteve em Assis Chateaubriand disputando amistoso com o Uruguai – vitória por 26 a 14 – na fase de preparativos para o Pré-Olímpico realizado no Canadá, onde foi campeã invicta, garantindo-se para os Jogos de Sydney. O início do trabalho na cidade indicou o estilo de Digenal: exigência de grande empenho no ensaio de jogadas e, à menor descontração, severos ‘‘puxões de orelha’’ nas meninas, que se submetem com naturalidade às reprimendas. Afinal, elas terão a histórica oportunidade de representar o handebol brasileiro em sua primeira participação olímpica.
Digenal está no comando da seleção há 7 anos, tendo ao seu lado o preparador físico Katsuhiko Nakaya e a assistente Mariza Lofredo, ambos da seleção de Guarulhos (SP), de onde é oriunda a maior parte das jogadoras, por causa do trabalho de base existente naquela cidade. São elas as goleiras Margarida (Guarulhos), Fátima (Mauá-SP) e Chana (Vasco-RJ), armadoras Rosana, Lucilia e Sandra (Guarulhos), e Aline (Vasco), Margareth (Osasco-SP) e Zezé (Mauá), pontas Idalina (Mauá), Valéria (São Bernardo-SP), Viviane Jacks (Guarulhos) e Dilane (Ulbra-RS), e pivôs Alessandra e Viviane (Guarulhos).
Digenal Cerqueira afirma que o handebol brasileiro ainda está em consolidação, pois sua confederação é a mais ‘‘nova’’ entre as de modalidades olímpicas – foi criada há 21 anos – ‘‘enquanto o voleibol, por exemplo, está aí há décadas’’.
Além disto, a modalidade não recebe investimentos pesados de patrocinadores, como ocorre com o vôlei ou o basquete. Em seus clubes, as jogadores recebem salário entre R$ 1 mil e R$ 3 mil. Em Assis Chateaubriand, a prefeitura paga as despesas da seleção, com alojamento, alimentação e transporte. Um bom desempenho nas Olimpíadas, porém, pode dar a ‘‘arrancada definitiva’’ para o handebol brasileiro.

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