Rio - Já garantida na semifinal, a equipe brasileira masculina de handebol joga hoje contra o adversário mais forte do grupo B, os cubanos, às 16 horas. A seleção de Cuba é líder da chave devido ao saldo de gols, melhor do que do Brasil (35 contra 32).
Um dos veteranos da equipe é o pivô Menta, de 32 anos, que encontrou no esporte uma maneira de batalhar por estudo e melhores condições de vida. ''Eu não tenho vergonha nenhuma de dizer que venho de família pobre'', diz o jogador, que em Winnipeg/99 disputou seu primeiro Pan. Até hoje, ele se lembra da derrota para Cuba na decisão, nos tiros de sete metros (pênaltis).
Foi em Canoas, no Rio Grande do Sul, que Menta começou a jogar handebol. ''Minha irmã mais velha jogava na escola e eu fui fazer a mesma coisa, aos 12 anos. Com o tempo, descobri que o esporte poderia me ajudar a ter estudo e um futuro melhor. Acabei tendo muita sorte de poder ter o handebol como ganha pão'', assinala.
Quando começou a jogar, seus pais já eram aposentados. ''Por isso, eu tinha de me virar. Nunca precisei, de fato, trabalhar, mas já passei muita fome por aí. Não gosto de falar em nomes de clubes, mas já passei muito perrengue.''
Menta jogou por três anos em sua cidade e foi para Novo Hamburgo e Itajaí, onde ficou por quatro anos. Depois, conseguiu jogar na Metodista/São Bernardo, um dos times de melhor estrutura do Brasil. Hoje, joga em São Caetano.
Nenhuma das adversidades, no entanto, é apontada por Menta como a mais frustrante do que a vivida em 2003. ''O pior de tudo foi não jogar o Pan de Santo Domingo/03. Eu fui o último cortado e me senti muito injustiçado. Respeitei a posição da comissão técnica, mas eu me sentia muito preparado. Não tem como lutar contra quem manda'', lamenta.
Em 2007, o pivô contou com todo o apoio de Jordi Ribera, o espanhol que comanda o time há quase dois anos. ''Eu tive um estiramento na panturrilha e fiquei três meses sem treinar. O Jordi me deu toda a confiança dele, me deu tempo para me recuperar, apostou em mim'', agradece. O sonho? ''Disputar uma Olimpíada, como fiz em Atlanta/96. É uma utopia para todos os atletas. Seria um prêmio.''
O armador Bruno Souza deve estrear hoje na equipe. Ele faria na noite de ontem o último treino para saber se terá condições de integrar a equipe brasileira.
Feminino - No jogo que prometia ser o mais duro da primeira fase, a seleção feminina de handebol do Brasil superou Cuba, ontem, e se assegurou como melhor da chave nos Jogos Pan-Americanos. O placar final apertado de 32 a 28 reproduz as dificuldades encontradas pelas brasileiras no jogo, sobretudo no primeiro tempo. O adversário da semifinal, programada para amanhã, pode ser Argentina ou República Domicana.

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