HANDEBOL - ÉPICO!
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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013
IVO FELIPE<br>Enviado especial a Belgrado (SER) 
A história foi escrita ontem. Diante de 19.500 enlouquecidos torcedores sérvios, a Seleção feminina de handebol conquistou o maior feito do Brasil na modalidade: venceu por 22 a 20, na Arena Belgrado, e sagrou-se campe ã mundial. Iguala-se, no esporte feminino, ao que a geração de Magic Paula e Hortência conseguiu nos anos 90. Com esta conquista, são as únicas seleções femininas do país a atingirem o topo do mundo.
Título conquistado por uma Seleção que, em quadra, parece muito mais ser europeia, seja lá o aspecto pela qual seja analisada. Frio, gelado, o time dirigido por Morten Soubak teve a tranquilidade para fazer, pela segunda fez, o que ninguém fez neste Mundial: bater a Sérvia em casa. E tornou-se o segundo time não europeu a ser campeão do torneio (a Coreia do Sul também foi, em 1995).
Em pouquíssimos momentos o controle saiu das mãos do time brasileiro. De cara, abriu-se 3 a 1, com atuação destacada de Fernanda. Quando as sérvias tomaram a frente no marcador, Morten parou o jogo.
Foi o suficiente para, outra vez, o time brasileiro esfriar os ânimos das adversárias e mostrar quem era melhor. No início do segundo tempo, aconteceu o ápice do time verde e amarelo na partida, quando abriu cinco gols de diferença (16 a 11).
Há de ser valorizada a disposição sérvia, uma vez que conseguiram buscar o placar outra vez e deixaram o Brasil oito minutos sem anotar tentos em uma ocasião sequer.
Mas era o dia da Seleção. Era o dia de quem teve a cabeça no lugar. A equipe pode ser brasileira, mas a mentalidade, definitivamente, não é deste planeta. Se o país é conhecido pela emoção com a qual o povo faz as suas atividades, as jogadoras do time "esqueceram" as suas raízes nos últimos quatro minutos de jogo.
A primeira demonstração de força veio de Mayssa. Ela, que machucou a mão direita e por pouco não foi cortada do Mundial, permaneceu 46 minutos no banco de reservas. Quando saiu, cedeu apenas quatro gols às sérvias, que pressionavam.
Depois, foi a vez de Morten lançar a jogadora mais nova do elenco. Deborah Hannah era tida, antes do Mundial, como a maior aposta do dinamarquês para a Olimpíada de 2016. Talvez, nem o próprio treinador esperasse que a jovem de 20 anos lhe trouxesse frutos tão cedo.
O gol dela, a dois minutos do fim, colocou o Brasil à frente no placar, de onde não sairia mais. Ana Paula ainda ampliaria o marcador. Mas estava definido: o país do futebol, agora, é o maior do mundo no handebol.




