O título que Mika Hakkinen e Michael Schumacher disputam na madrugada de hoje para amanhã, no Japão, representa o último ato de uma peça que exigiu esforços imensos de mais de 200 artistas altamente especializados de suas equipes, McLaren e Ferrari, e investimentos superiores a U$ 150 milhões, também de cada uma. Quase tudo agora está nas mãos dos dois pilotos, fase final da linha de montagem de uma conquista. A matemática joga a favor do finlandês da McLaren, mas na própria Fórmula 1 há quem acredite que Schumacher quebrará o jejum de 19 anos sem título da Ferrari. A Rede Globo transmite a prova de Suzuka a partir das duas horas.
Nas três outras vezes em que a McLaren disputou o Mundial com a Ferrari na última etapa do campeonato, o time inglês acabou campeão. Agora, de novo, as possibilidades maiores são de seu piloto, Mika Hakkinen. Em 74, Émerson Fittipaldi, pela McLaren, e Clay Regazzoni, Ferrari, decidiram o título no GP dos EUA. Deu Émerson e a McLaren. Dois anos mais tarde, Niki Lauda, na Ferrari, e James Hunt, McLaren, lutaram pelo campeonato na pista de Fuji, também última da temporada. Lauda desistiu por causa da chuva e Hunt foi campeão. Em 90, Ayrton Senna levou a melhor na disputa com Alain Prost, da Ferrari, na corrida final de Suzuka, e deu o Mundial para a McLaren.
‘‘Na Fórmula 1, a história não é muita referência para o futuro’’, disse ontem Ron Dennis, diretor geral da McLaren. Apesar da vantagem de quatro pontos de Hakkinen sobre Schumacher na classificação, 90 a 86, a superpreparação da Ferrari e da Goodyear para o GP do Japão tira de Hakkinen parte do seu favoritismo. A própria previsão da meteorologia, que projetava chuva para esta madrugada em Suzuka, colabora para que a disputa se torne mais equilibrada, deslocando para Schumacher as possibilidades maiores de ganhar a corrida. Ocorre que apenas vencer não garante o título mundial para o alemão. Nesse caso, Hakkinen não pode se classificar em segundo. Será a sétima vez que a F-1 definirá seu campeonato no Japão.
Além do piloto campeão do mundo, a última etapa do Mundial apontará também a equipe vencedora entre os Construtores. A McLaren, com 142 pontos, contra 127 da Ferrari, necessita de apenas um ponto para garantir a conquista. Outra competição particular é a da terceira colocação, que envolve a Williams, Benetton e Jordan. A luta é intensa porque os valores de alguns de seus contratos de patrocínio são condicionados à classificação nesse campeonato e o número de pontos conquistados. A prova de Suzuka é também a de adeus da equipe Tyrrell, a mais antiga da F-1 depois da Ferrari e da McLaren. Foram 417 GPs disputados de 70 até hoje. Correndo pela Tyrrell-Ford, o escocês Jackie Stewart conquistou dois títulos mundiais, em 71 e 73. Outra despedida no Japão é a da Goodyear, maior vencedora de GPs da história, com 368 vitórias.

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