Montreal, 13 (AE) - Com muita probabilidade, Mika Hakkinen não imaginava sair do Canadá como líder do campeonato, com vitória no circuito Gilles Villeneuve e vendo a Ferrari de Michael Schumacher batida no muro. Ele mesmo concordou: "Eu não esperava esse resultado." O finlandês da McLaren herdou a conquista de um erro crasso de Schumacher na 30ª volta, quando o alemão da Ferrari liderava a corrida. Como sempre, teve de tudo no GP do Canadá, disputado sob mais de 30 graus. O Safety Car entrou quatro vezes na pista.
O melhor que Hakkinen havia conseguido em Montreal até hoje havia sido a quinta colocação na edição de 1996. Hoje ele descontou com sobra os azares de outras vezes. Hakkinen tem agora 34 pontos na classificação, contra 30 de Schumacher. Enquanto nas duas últimas etapas da temporada ele somou 20 pontos, o alemão fez apenas quatro. "O mais importante é que conseguimos resolver os problemas de resistência do nosso carro que, como disse antes, é melhor que o do ano passado."
Sobre seu ritmo forte de corrida, não sugerido depois dos treinos livres e até mesmo de classificação, Hakkinen esnobou: "Eu poderia ter sido ainda mais veloz, ficar mais próximo de Schumacher, mas os riscos seriam grandes e desnecessários." Foi sua condução firme e veloz que contribuiu para o alemão errar, na 30.a volta. "Até antes da corrida de Barcelona tínhamos dificuldades com a resistência e a inconstância do MP4/14", falou.
"Agora parece que os problemas se transferiram para esses rapazes aí (referindo-se à Ferrari)." Na realidade, a escuderia italiana dispunha de um carro mais rápido que o da McLaren em Montreal, conforme todos os treinos indicaram. A forma como o campeão do mundo comemorou o primeiro lugar revelou existir certa tensão na equipe, diante da possibilidade real de a Ferrari se impor no Canadá e ampliar a vantagem no Mundial. Ron Dennis, sócio da McLaren, lembrou que sua organização não vencia em Montreal desde 1992, quando Gerhard Berger foi primeiro.
A próxima etapa do campeonato será dia 27 em Magny-Cours
na França, circuito em que, a exemplo do Canadá, a Ferrari ganhou nos dois últimos anos. Hakkinen não se preocupa com o fato. "Nós temos três dias de testes nessa pista esta semana (quarta, quinta e sexta-feira), acho que agora que compreendemos melhor o MP4/14 vamos brigar por mais uma vitória." O primeiro lugar de ontem foi o de número 12 na sua carreira e terceiro este ano. No fim da conversa, Hakkinen falou sobre o acidente de Schumacher.
"Na hora me veio a mente o que se passou comigo em Ímola." No GP de San Marino, o finlandês bateu sozinho quando também liderava. "Eu não sei o que aconteceu com ele, mas seja lá o que for jogou a meu favor", comentou. "As corridas de carro são assim mesmo." O italiano Giancarlo Fisichella, da Benetton, terminou a prova na segunda colocação, repetindo o bom trabalho do ano passado, em que também foi segundo. Depois de uma disputa que teve até um chega para lá de David Coulthard, da McLaren, o irlandês Eddie Irvine, da Ferrari, classificou-se em terceiro. Ralf Schumacher, da Williams, ficou em quarto, Johnny Herbert, Stewart, quinto, e Pedro Paulo Diniz, Sauber, num excelente sexto lugar.

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