Empolgada com a vitória de Rubens Barrichello na Alemanha, com a pole position conquistada na Hungria e com a possibilidade de ter os seus dois pilotos lutando pelo título, a Ferrari sofreu ontem um forte revés: na pista de Hungaroring, a escuderia italiana viu, impotente, o rival Mika Hakkinen conquistar sua terceira vitória na temporada. O ferrarista Michael Schumacher foi o segundo, seguido por David Coulthard, companheiro de Hakkinen. Barrichello foi o quarto colocado.
Com o resultado, o finlandês desbancou Schumacher da liderança do Mundial de Pilotos e a McLaren assumiu a ponta no Mundial de Construtores (veja quadros nesta página). A Ferrari, que chegou à Hungria liderando os dois campeonatos, agora luta para reagir, situação impensável há alguns meses. O próximo GP será no dia 27, na Bélgica.
Contrastando com a última etapa, na Alemanha, em que até um manifestante invadiu a pista, o GP de ontem foi o mais monótono do ano – com apenas uma mudança de posição, os seis primeiros depois da primeira volta foram os mesmos seis primeiros que terminaram a corrida.
O lance que decidiu a prova aconteceu antes mesmo da primeira curva. Schumacher e Coulthard, que ocupavam a primeira fila, patinaram na largada e Hakkinen, terceiro, passou à ponta.
Em uma pista com raras chances de ultrapassagem, eles mantiveram as posições até a bandeirada final. O único entre os seis primeiros a ganhar posições após a primeira volta foi Barrichello. Saindo em quinto, ele não conseguiu superar Ralf Schumacher, quarto, na pista. Precisou contar com a boa estratégia ferrarista.
Na 28ª volta, o alemão foi para os boxes para seu primeiro pit stop, e perdeu tempo com um problema em uma das rodas. Barrichello entrou na volta seguinte e colocou pouca gasolina, para voltar mais rápido à pista. O plano funcionou, e o brasileiro assumiu assim o quarto posto.
A partir daí, a corrida teve apenas três ultrapassagens, todas entre pilotos do pelotão do fundo. Sem ser ameaçado e com um carro mais rápido que o da Ferrari, Hakkinen aproveitou para deixar clara a superioridade de sua equipe. Chegou a abrir 27s2 sobre o alemão e, de quebra, cravou a volta mais rápida da corrida.
Após a ‘‘lavada’’, o ambiente na Ferrari era de ressaca – a previsão de um bom desempenho fez até o presidente ferrarista, Luca di Montezemolo, viajar para a Hungria. Nos boxes ao lado, mecânicos e dirigentes da McLaren comemoravam entusiasmados a virada nos dois campeonatos.
‘‘Foi perfeito. Mika fez uma largada excepcional e David pressionou Michael o tempo todo. Mais do que nunca, estamos comprometidos a dar aos nossos pilotos a chance do título’’, disse Ron Dennis, chefe da equipe.
Hakkinen, que enfrentou maus momentos neste ano, levantando até rumores de que iria se aposentar, estava grato ao time. ‘‘O carro evoluiu muito de um dia para outro. Foi um trabalho conjunto, de motor e chassis’’, disse ele, que luta pelo tricampeonato – foi campeão em 98 e 99.

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