Hakkinen quebra e Schumacher vence
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de abril de 2001
Agência Estado De Barcelona, Espanha 
Desde 1991 a Fórmula 1 não assistia a um resultado tão inesperado quanto o deste domingo, no GP da Espanha. Eu lamento, ninguém gosta de vencer assim, já aconteceu comigo e agora foi a vez dele, afirmou Michael Schumacher, da Ferrari, o vencedor, referindo-se a Mika Hakkinen, da McLaren.
O finlandês liderava com uma vantagem de 42,5 segundos para o alemão, quando, a cinco curvas da bandeirada, a transmissão do carro quebrou, fazendo-o abandonar. Gritei todos os palavrões que me lembrava e depois me acalmei, automobilismo é isso, disse Hakkinen. Juan Pablo Montoya, da Williams, marcou seus primeiros pontos já no pódio, ao classificar-se em segundo, enquanto Jacques Villeneuve deu o primeiro pódio a sua equipe, a BAR.
No GP do Canadá de 1991, Nigel Mansell, da Williams, dava tchauzinho à torcida, que comemorava sua vitória, mas a 700 metros da linha de chegada o carro ficou sem gasolina. Venceu Nelson Piquet, com Benetton.
Ontem não foi muito diferente. Hakkinen teve um belo duelo com Schumacher até o segundo pit stop de ambos, do alemão na 43ª e do finlandês na 50ª volta, sempre acompanhando-o muito de perto. Mas quem desta vez aplicou uma peça em cima do adversário foi a McLaren, que conseguiu fazer com que Hakkinen deixasse os boxes pouco antes da passagem de Schumacher.
A partir daí sua única preocupação passou a ser chegar até o fim da prova, já que faltavam ainda 15 voltas. Pensei em parar e trocar novamente os pneus, mas resolvi arriscar, embora meu ritmo fosse bem mais lento. Da 50ª à 64ª volta, uma antes da bandeirada, Hakkinen abria quase três segundos por volta. As suspeitas maiores depois do final eram de que o problema de Schumacher era relacionavam-se à suspensão traseira. Rubens Barrichello, seu companheiro, havia desistido na 49ª volta, quando era terceiro, por quebra da suspensão traseira direita.
Ross Brawn me avisou pelo rádio o que havia se passado com Rubens. Pneus novos forçariam ainda mais a suspensão, daí talvez o alemão decidir permanecer na corrida, sem fazer novo pit stop. Tive um choque quando vi sua McLaren parada, falou Schumacher. Ele fez tudo certo, merecia ficar com a vitória.
Agora Schumacher é novamente o líder isolado do Mundial, com 36 pontos, diante de 28 de Couthard, que chegou em quinto na Espanha. Foi a 47ª vitória do piloto da Ferrari na Fórmula 1, na sua corrida de número 150, o que significa que ele chegou em primeiro em quase um terço dos GPs que participou. Schumacher está agora a quatro vitórias de empatar com Alain Prost como o maior vencedor de GPs de Fórmula 1 da história.
O alemão aproveitou para responder ao quase sempre inconveniente Niki Lauda, diretor da Jaguar, que havia dito que até macacos poderiam pilotar na Fórmula 1 com a volta de vários recursos eletrônicos. Se ele acha que os macacos podem ser pilotos, por que então não volta a competir. Nós lhe mostraremos do que somos capazes. O GP da Espanha marcou o retorno do controle de tração, câmbio e sistema de largada automático e diferencial eletro-hidráulico, embora nem todos se utilizassem ainda deles.
Depois de Schumacher, Montoya e Villeneuve, classificaram-se Jarno Trulli, da Jordan, em quarto; Coulthard, quinto; e Nick Heidfeld, da Sauber, em sexto. O brasileiro Luciano Burti, que estreou na equipe Prost, terminou em 11º.
As características da próxima pista do calendário nos permitem pensar em lutar por nova vitória, afirmou o alemão. De fato os 4.326 metros do traçado de Spielberg, pela ausência de curvas longas e velozes, se assemelha aos de Interlagos e Ímola, onde a Williams liderou as corridas. O GP da Áustria será dia 13, mas já a partir desta terça-feira a maioria dos pilotos estará no circuito Ricardo Torno, em Valência, para quatro dias de testes.


