Monza, Itália, 12 (AE) - O "se" não vale para explicar nenhum resultado no esporte, mas ele justifica uma cena de profunda emoção, já rara na Fórmula 1: o choro sentido de Mika Hakkinen, hoje, em meio a algumas árvores do Parco di Monza. Se o finlandês vencesse a prova, como parecia, e Eddie Irvine a concluísse em sétimo, como também sua colocação sugeria, ele abriria 11 pontos de vantagem sobre o piloto da Ferrari na classificação. Isso permitiria a Hakkinen, dependendo do que ocorresse já no GP da Europa, dia 26, definir a conquista do seu segundo título mundial.
A Itália não será muito bem lembrada na carreira de Mika Hakkinen, que dia 28 completa 31 anos. Este ano, na terceira etapa da temporada, em Ímola, ele se acidentou sozinho quando liderava o GP de San Marino.
Hoje, em Monza, o finlandês estava em primeiro na 30.ª volta do GP da Itália, com uma vantagem de 8 segundos para Heinz-Harald Frentzen, da Jordan, segundo colocado. Na primeira chicane, sua McLaren atravessou na entrada da curva e parou na caixa de brita. Hakkinen perdeu a corrida, permitiu Irvine igualar-se na classificação, com 60 pontos, e ainda outros pilotos inserirem-se na disputa pelo título.
O que se viu a seguir não tem registro recente na Fórmula 1: Hakkinen procurar um canto isolado atrás de alguns arbustos e, numa posição de extrema fagilidade emocional, com o joelho direito apoiado sobre o solo, apoiando as mãos sobre o capacete, também no chão, lançou-se num choro convulsivo. A balaclava, tecido usado para cobrir o rosto, sob o capacete, enxugou sua angústia e as lágrimas.
Minutos depois, já mais recomposto, retornou para os boxes. A mesma torcida que vibrou com a sua desistência, pois favoreceu a Ferrari, agora o aplaudia. Sua mulher Erja, sete anos e meio mais velha, o aguardava. O abraço foi longo e carregado de dor. Erja teve papel fundamental na recuperação de Hakkinen, depois do acidente de Adelaide, na Austrália, em 1995, quando entrou em coma.
"Fiquei daquela maneira por que compreendi logo o que havia perdido", contou. "E tudo por minha culpa." Em vez de engatar a segunda marcha, Hakkinen seguiu trocando marchas até a primeira. "Estava com a marcha errada e as rodas travaram." Como consolo, já quase sorrindo, disse que poderia ser pior. "Eu ainda lidero o Mundial." Sua vivência com situações semelhantes lhe ensinou que a única solução é esquecer o que se passou: "Tenho de chegar em Nurburgring como se nada disso tivesse ocorrido." Um jornalista finlandês lhe comunica que seu choro foi acompanhado por milhões de pessoas. "Verdade?" Ele achou que estava sozinho com sua dor.

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