Sepang, 14 (AE) - As declarações de Mika Hakkinen, Michael Schumacher e Eddie Irvine são tão conflitantes, a respeito do papel de cada um no GP da Malásia, que só mesmo sábado de madrugada, na definição do grid, e domingo, na corrida
ficará claro o que cada um planeja fazer na verdade. "Para ajudar Eddie é simples, eu preciso ser rápido e não me acidentar", afirmou hoje Schumacher. Os primeiros treinos livres serão realizados na madrugada desta sexta-feira.
Cada um diz uma coisa: "Vim aqui para ajudar a Ferrari ser campeã entre os construtores", fala o piloto alemão. Já Irvine, hoje também, retrucou: "Para mim, o mais importante é o título de pilotos." Schumacher emendou: "Meu segundo objetivo no fim de semana é ajudar Eddie ser campeão." E Mika Hakkinen tratou de esquentar ainda mais a discordância entre ambos ao afirmar: "Michael colaborar com Eddie? Acho que ele pode acabar é me ajudando." Mas admitiu: "Preferia vê-lo em casa."
As palavras do finlandês da McLaren, líder da temporada, reflete o que muita gente pensa na Fórmula 1: o último desejo de Schumacher é ver Irvine campeão. Mais uma vez o alemão repetiu que sua preocupação é vencer o GP da Malásia e "Eddie que faça a sua parte". Ele explicou: "Se o Eddie quiser contar comigo ele não poderá deixar o Hakkinen entre nós." E esse desafio de Irvine começa já sábado, ainda às 3 horas, quando o grid do GP da Malásia será definido. A TV Globo transmite o treino ao vivo.
Curiosamente, tanto Hakkinen quanto Schumacher se autoproclamaram vencedores da penúltima etapa do campeonato. "Gostei do circuito, como nosso carro está muito melhor de quando me acidentei, tenho plenas condições de vencer domingo", afirma Schumacher. Hakkinen comentou que pôde verificar nos testes da semana passada, em Barcelona, que sua McLaren evoluiu ainda mais. "Vamos ter um carros fantástico aqui." O finlandês foi um pouco além nos elogios ao autódromo de Sepang. "O traçado apresenta uma combinação de curvas fabulosa, o trabalho realizado aqui foi brilhante." O que mais está animando Schumacher é a frequente variação nas condições do tempo, além do calor de quase 40 graus que faz na Malásia.
Quase sempre que as corridas são disputadas ora com chuva ora com o asfalto mais seco, o alemão interpreta melhor essas mudanças e acaba vencendo. Já Irvine enalteceu essa característica do companheiro de Ferrari e confessou: "Eu estou 150 % por trás dessa volta do Michael à competição, procurei Luca di Montezemolo (presidente da Ferrari), falei com todo mundo, para ver se ele mudava de opinião." Schumacher havia afirmado que não mais correria este ano. Uma vitória do alemão, domingo, garante a extensão da disputa pelo título até o GP do Japão. A única possibilidade de o campeonato acabar na Malásia é Hakkinen vencer e Irvine não se classificar entre os quatro primeiros. "Se chegarmos em Suzuka em igualdade de condições serei campeão porque lá sou imbatível", revela o norte-irlandês que confirmou ter trabalhado para a volta de Schumacher por saber que seria bem mais difícil para Hakkinen vencer na Malásia. Descontraído, o alemão Heinz-Harald Frentzen, da Jordan, lembrou sua posição de franco atirador, com 50 pontos na classificação, 12 a menos de Hakkinen e 10 de Irvine. "Eu não sinto nenhuma pressão extra, se conquistar o título, ótimo, caso contrário ninguém o exigia mesmo de mim." Sua Jordan-Mugen Honda vem sendo desenvolvida com eficiência, a cada etapa do Mundial, disse. "Gosto dessas mudanças da condição da pista." No último GP, disputado também com chuva, ele liderou as 30 primeiras voltas da prova, até que ele próprio aciona-se, sem desejar, a chave-geral, e abandonasse.

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