Hakkinen chegou a temer pelo pior
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sábado, 10 de abril de 1999
Por Émerson Couto 
São Paulo, 11 (AE) - O finlandês Mika Hakkinen, vencedor do Grande Prêmio do Brasil pela segunda vez consecutiva, viveu uma experiência única e assustadora em sua carreira, hoje à tarde, em Interlagos. Na quarta volta, então na liderança, sua McLaren teve um problema hidráulico que afetou a caixa de câmbio. O piloto não conseguiu mudar a marcha e perdeu duas posições, para Rubens Barrichello e Michael Schumacher. "Pensei que a prova estivesse acabando para mim ali", contou, acrescentando que, no momento, conseguia abrir certa vantagem para o brasileiro.
Algumas aceleradas depois, estava "tudo 100% regular", como lembrou Hakkinen. O atual campeão ficou preocupado. "Em toda a minha experiência de Fórmula 1, foi a primeira vez que isso aconteceu comigo", afirmou. Durante a pane, Hakkinen consultou a equipe e recebeu a instrução para continuar na corrida. De repente, tudo estava bem novamente. Foi também um problema hidráulico que tirou Hakkinen e seu companheiro, o escocês David Coulthard, da primeira etapa, em Melbourne, na Austrália. Couthard teve afetada a caixa de câmbio e, o finlandês, o acelerador eletrônico.
Depois de um começo de assustar o piloto, Hakkinen teve um desfecho de prova tranquilo. Ele chegou a fazer a melhor volta do GP a duas do fim, com um tempo de 1min18s448, cerca de um segundo mais rápido em relação a do ano passado - 1min19s337 -, estabelecida também pelo finlandês.
"Estava mais confiante neste momento e o carro estava bastante equilibrado", disse.
Apesar dos altos e baixos na prova, Hakkinen mostrou certa satisfação por conseguir seus primeiros 10 pontos na temporada. Ele tem dois a menos que o líder do Mundial, o irlandês Eddie Irvine, da Ferrari.
Segundo o piloto da McLaren um pit stop "fantátisco" programado pela equipe inglesa foi fundamental para a vitória. "De qualquer forma, foi uma corrida muito forte, com desgaste tanto físico e mental", disse.
SEM EXPLICAÇÓES - Se Hakkinen conseguiu se recuperar na prova e ainda acabar na primeira colocação, Coulthard não teve a mesma sorte. Assim que o sinal verde pintou na largada, o escocês começou a acenar com o braço esquerdo. Não largou, teve de voltar para os boxes e retornou à pista quase três voltas atrás dos demais carros. "Na verdade, eu não ainda não consigo explicar o que aconteceu no grid", justitificou.
Pouco antes de abandonar a corrida definitivamente - ele não chegou sequer a completar metade na prova -, Coulthard entrou nos boxes, parou, não foi recebido por ninguém da equipe e voltou para a pista.
Segundo o piloto, o ato foi uma decisão dele próprio para checar o câmbio de seu carro. "Perdi a quinta marcha e pensei que algo pudesse ser feito para contornar o problema", lembrou. "Quando voltei à pista, porém, parecia que toda a caixa de câmbio iria explodir." Ron Dennis, um dos sócios da McLaren, ficou desapontado com os dois incidentes de Coulthard. A causa dos mesmos, segundo ele, ainda será verificada pela equipe. Dennis, ao menos, comemorou o trabalho de equipe que culminou na vitória de Hakkinen. "Executamos uma boa estrátégia de corrida", afirmou.


