Há 40 anos, dia 3 de outubro de 1967, uma corrida em especial foi o marco para a organização do automobilismo no interior do Paraná e deu o impulso para o surgimento da primeira geração de pilotos de Londrina. Foi a prova '1 Hora de Kart de Londrina', disputada nas ruas ao redor da praça da Paróquia Nossa Senhora das Graças, no Jardim Petrópolis, onde hoje fica o Colégio Maxi.
Como o circuito foi improvisado, os promotores recorreram a sacos de pó de serra para servirem de proteção nas curvas e também a cordas, que fizeram o isolamento dos espectadores. Por ser novidade, a corrida ''atraiu uma multidão ao local'', conforme relatou reportagem da Folha de Londrina na época.
Quem conta a história com detalhes é o piloto Beto Monteiro, hoje com 62 anos, o vencedor daquela prova inaugural. ''Eu e alguns colegas que gostavam de correr compramos uns karts em São Paulo e pensamos numa prova para chamar a atenção do público. Apareceram uns 40 kartistas de vários cantos do Brasil''.
Os próprios pilotos locais tiveram que arregaçar as mangas para viabilizar o evento. ''Tive que pedir autorização da Polícia Militar, fazer regulamento, bolar um circuito e também correr atrás de divulgação. E fazia tudo com o maior gosto'', recorda Monteiro, na época com 22 anos. Atualmente é produtor rural em Londrina, onde está desde 1948.
O ex-piloto conta com orgulho que a prova contou inclusive com o kart de Emerson Fittipaldi, que ainda não andava na Fórmula 1, mas já era na época o piloto de maior destaque do País. ''Pena que ele não pôde vir. Veio um piloto da equipe em seu lugar'', diz Monteiro. A corrida teve 127 voltas e percurso de 64,5 km.
''Bomba-d'água'' - A matéria da Folha no dia seguinte relatava da seguinte forma o evento: ''Uma apreciável multidão foi até o Jardim Petrópolis ver ''uns carrinhos esquisitos'' - que muitos chamaram de ''bomba d'água ambulante'' - fazer a primeira corrida de kart do Norte do Paraná. Ela constituiu verdadeiro sucesso, arrancando aplausos e gritos de entusiasmo do pessoal que se plantou, ali, por mais de três horas. Praticamente novo no Brasil, o kartismo cada dia consegue mais adeptos e entusiastas''.
Entre os que participaram, Monteiro lembra de outros três londrinenses com os quais travava rachas na adolescência ''em ruas afastadas da cidade'' - por falta de autódromo -, conforme relato de uma revista esportiva da época.
Os companheiros eram Guilherme Pagano, Hermínio Victorelli e o irmão Paulo Roberto Monteiro. ''Para correr de kart naquela época o piloto, além de ter que guiar bem, precisava ser quase um mecânico. No final da prova estava todo mundo sujo de graxa'', conta o veterano, com uma ponta de saudade.
A prova inaugural de kart em Londrina motivou realização de várias outras pelo interior do Estado: em Cambé, Rolândia, Arapongas, Apucarana, Maringá, Paranavaí, Cascavel e também em Presidente Prudente-SP. ''Todo mundo queria ver os carrinhos, que viraram uma febre. Corremos até em cidades pequenas, como Bela Vista do Paraíso'', conta.

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